Quem sou eu

Minha foto
Sou Guerreira, romântica, poeta, escritora, paciente, prudente, perseverante, amante da natureza...

Follow by Email

Minha lista de blogs

Dias de Vida do blog

Total de visualizações de página

27 de junho de 2009

A hipocrisia do diploma



A Hipocrisia do Diploa

Enquanto Boris Casoy aplaude, Eliakim Araújo esbraveja contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de por fim à exigência do diploma universitário para o exercício da profissão de jornalista.
Como sou jornalista desde 1967 (antes desta bendita lei) e o meu registro está lá na minha carteira de trabalho, sempre me senti muito à vontade para falar contra essa exigência absurda.
Eliakim alega que os “patrões” se sentirão à vontade para contratar gente que aceite a imposição da linha editorial dos donos do veículo ou que aceite trabalhar por um salário aviltado.
Ora, então todos os profissionais de cargos que não exigem diploma são contratados por salários aviltados? No Exterior, onde não há essa exigência, os jornalistas são todos puxa-sacos dos patrões?
Na prática, o jornalista diplomado tem mais condições de bater de frente com o pensamento dos donos dos veículos? Por que? O diploma garante por acaso a firmeza de caráter de quem o possui?
Exigir diploma para o cidadão poder se expressar é um absurdo.
Essa lei é fruto (ainda!!!) da Ditadura Militar que queria calar a boca da oposição a qualquer preço. Com a exigência do diploma, por exemplo, o líder das Ligas Camponesas no sertão ficava impedido de editar um jornalzinho no mimeógrafo da sede de seu movimento e precisava, para isso, “alugar” o registro profissional de algum diplomado que topasse ser o “jornalista responsável” pelo veículo. Uma coisa francamente ridícula.
Com o nível de muitas escolas que se dizem “faculdades” no Brasil está cheio de jornalista semi analfabeto por aí. Não é só jornalista. Tem advogados, engenheiros, médicos, etc., de formação altamente suspeita. E, durante décadas, houve quem sobrevivesse sem trabalhar, apenas “alugando” seu registro profissional para publicações diversas, até aquelas de cunho meramente comercial. (Aliás, nada contra o comercial...)
Outra boa razão para a defesa da exigência do diploma é o corporativismo: Neste clubinho aqui, só nós. Ou então, a “razão” dos fracos de espírito, que cursam faculdades não pelo conhecimento que elas possam oferecer mas sim pela garantia de um salariozinho melhor.
Agora você imagine gente do nível de Vinicius de Moraes, Érico Veríssimo, Lia Luft ou Jorge Amado – só pra ficar com os escritores – sendo impedidos de escrever em jornais ou revistas apenas porque não têm (ou tinham, no caso dos falecidos) registro de jornalista. Ridículo, não?
A imprensa pode e deve se beneficiar, ainda, de profissionais de outras áreas, como políticos (vem cá, o Fernando Henrique ou o Delfim, com colunas regulares nos jornais, tem diploma?), economistas, músicos, engenheiros, advogados para opinarem e até reportarem, dentro das suas áreas de atuação.
O Eliakim que me perdoe, com todo o respeito e a admiração que tenho por ele, mas essa posição de achar que os donos dos veículos vão contratar gente fuleira só porque não há a exigência do diploma, é muito boba e, além de boba, não leva em consideração que a comunicação é um negócio como qualquer outro e sofre violenta concorrência, o que obriga os veículos a investir em qualidade profissional.
Nunca me esquecerei do dia, nos longínquos anos 1980, que, no lento elevador da TV Gazeta, me atrevi a falar contra a exigência do diploma para um grupo de importantes jornalistas que se apertavam no cubículo. Houve um silêncio sepulcral, um mal estar insuportável, como se eu tivesse cometido, no Vaticano, a maior das heresias. Respirei aliviada quando o elevador chegou ao térreo e a porta se abriu.
Exatamente como respiro no dia de hoje, depois dessa sábia decisão da Justiça Brasileira. Aliviada. Adeus corporativismo, incompetência diplomada, restrição da liberdade de expressão.
Viva a democracia!
Por:
Isabel Vasconcellos
www.isabelvasconcellos.com.br
é escritora e jornalista.
Marisa Manso, assessora de imprensa - mtb 38775
marisamanso@prestonet.com.br

4 comentários :

  • Rita Cidreira says:
    27 de junho de 2009 21:59

    Muito Legal!
    Parabens!

  • ONG ALERTA says:
    27 de janeiro de 2011 10:15

    Absurdo...o diploma é fundamental sim, senáo ninguém mais faria uma universidade, beijo Lisette.

  • Luciana Vaz says:
    27 de janeiro de 2011 13:06

    Oi, Lu! Eu trabalhei em assessoria de imprensa, aliás, que é área de relações públicas e tornou-se opção de emprego para jornalista justamente na época da ditadura. Mas sou sincera em dizer que não concluí a faculdade. Por essa razão, eu não me sinto confortável pra dizer que sou jornalista. Eu cursei 3 anos de jornalismo e pouco aprendi nas faculdades. O que sei fazer foi aprendido no exercício diário. Também já vi muito jornalista formado escrevendo absurdos. Ainda assim, eu não consigo dizer que sou jornalista sem me sentir um tanto constrangida. Beijos de Lu pra Lu e parabéns pelo post.

  • Ventura says:
    13 de abril de 2011 11:13

    Cheguei atrasado, fora de hora. Recebi hoje (13/04/2011)na Cia dos Blogueiros, mas fazemos histórias, somos livres sem canudos e jornalistas. Gostei até do seu nome Lu com Cidreira cura até dor de cotovelo. Deixo uma pergunta: O que se pode esperar de um país onde jornalista tem que ter diploma?
    Forte abraço e parabéns pela crônica.

Comentários atuais

Seguidores

assine o feed

siga no Twitter

Postagens

acompanhe

Comentários

comente também

Uol

Gostou do Blog? Então doe um drinque?

Estamos no Google+

Google+ Followers

Lançamento do livro de Rita Cidreira

Lançamento do livro de Rita Cidreira
Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.