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21 de fevereiro de 2010

Pioneira da medicina psiquiatrica

  Em fevereiro de 1905, nasceu Nise da Silveira

Nise da Silveira formou-se na faculdade de Medicina da Bahia, em 1926. Nesta época, todo mundo ainda via muito mal as mulheres que ousavam (e eram poucas) ser médicas.
Nise foi a única mulher entre os alunos da faculdade. Especializou-se em psiquiatria. Outra ousadia. Mulheres médicas eram ginecologistas ou pediatras.
Mais ousadamente ainda, colocou-se radicalmente contra as formas agressivas de tratamento usadas na época: lobotomia (uma cirurgia que mutilava o cérebro), eletro choques e insulinoterapia. Por isso, ela lutou e encontrou novas formas – mais femininas e delicadas – de tratar as doenças mentais.
Depois de formada passou a viver em Maceió, sua terra natal. Seu pai morreu em 1927 e sua mãe resolveu voltar para a casa dos pais. Nise não gostou e pegou um navio pro Rio de Janeiro.
Arrumou um emprego num hospital e passou a morar lá, como interna.
Em 1935, durante o Levante Comunista da ditadura de Getúlio Vargas, uma enfermeira viu obras de Karl Marx em seu quarto e a denunciou como comunista. Ela foi presa e afastada do serviço público.
Ficou presa por um ano e quatro meses e foi na cadeia que conheceu Graciliano Ramos e Olga Benário, que se tornaram seus amigos.
Só em 1944 conseguiu voltar a trabalhar como psiquiatra.
Mas logo arrumou outra encrenca. Recusou-se a aplicar eletro choque num paciente e, por isso, foi “banida” para um setor do hospital onde ninguém queria trabalhar, porque era considerado um trabalho menor: o centro de Terapia Ocupacional.
Nise conta que, quando chegou lá, os pacientes varriam o hospital, faziam faxina, serviam café... Essas atividades (que acabavam economizando funcionários) eram então consideradas terapia.
Mas ali estava seu futuro e a revolução que a tornariam famosa: em 1946 ela fundou ali a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação, que passou a receber com respeito os pacientes e colocá-los na atividade que mais os agradasse, dentre os muitos “ateliês” que ela criou: pintura, modelagem, música, teatro.
Conscientizou os funcionários para a dura realidade dos doentes mentais que, além do sofrimento imposto pela própria doença, ainda sofriam uma enorme discriminação social, inclusive dentro das instituições médicas.
Em 1952 fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, que não só reuniu as obras produzidas pelos pacientes mas era também um centro de pesquisa.
Em 1956 criou a Casa das Palmeiras, onde os doentes mentais viviam em regime de semi internato e eram estimulados a realizar atividades criativas.
Nise dedicou parte de sua vida a Carl Jung e fundou um grupo de estudos sobre ele, tendo também publicado o livro “Jung, Vida e Obra”.
Sua pesquisa e estudo da terapia ocupacional e do processo psiquiátrico pelas imagens do inconsciente renderam vários desdobramentos em todo o mundo: cursos, documentários, simpósios, livros, conferências...
Fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica, com sede em Paris, Nise da Silveira acumulou condecorações e prêmios internacionais.
Eu gostaria de ver, então, a cara do médico que a “baniu” para a parte “menos nobre” do hospital por julgá-la rebelde e inconsequente.
A Dra. Nise morreu no Rio de Janeiro, aos 94 anos de idade, em 30 de outubro de 1999.

Fonte: Isabel Vasconcellos

 

3 comentários :

  • Guará Matos says:
    21 de fevereiro de 2010 22:21

    Sem sombra de dúvidas, uma grande mulher brasileira, dentre as maiores. Que biografia fantástica, Lu. As pessoas precisam conhecer mais dos virtuoses desse país.
    Abraços.
    ________
    Ps. Por onde anda Ritinha? Sentimos falta de seus comentários!!!
    Volta, Rita!!!!!!

  • Felina Mulher says:
    22 de fevereiro de 2010 10:10

    Eu li algo mt interessante sobre ela, qdo em uma das visitas aos pacientes em um hospital psiquiatrico, o psiquiatra que a acompanhava apertou o botão e o homem entrou em convulsão. Ele mandou levar aquele paciente para a enfermeira e pediu que trouxessem outro. Quando o novo paciente ficou pronto para a aplicação do choque, o médico disse à ela : 'Aperte o botão.' E ela respondeu: 'Não aperto.' Aí começou a rebelde."
    Esse tipo de mulher me orgulha...Lu obrigada pela partilha.
    Uma semana de Paz pra ti querido.

    beijos.

  • Denise Guerra says:
    23 de fevereiro de 2010 00:50

    Oi Lu, como a minha primeira formação é Musicoterapia, eu tive o prazer de conhecer um pouco a obra da Drª Nise, seu livro sobre Yung eu tenho e li mais de uma vez. Fui estagiária do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro (que é pertinho da minha casa)por um ano e lá vi um pouco do trabalho do Museu do inconsciente, é fascinante! Toda a obra da Drª Nise é maravilhosa. Meu profº de Psicologia participou de grupos de estudos na casa dela e dizia que eram dois andares porém um só dos gatos que tinha, além da Caralâmpia ( a cadelinha que ficava aos seus pés ao lado de sua cadeira). Um ser humano iluminado. Salve Srª Nise! Adorei esta postagem! Obrigada pelas visitas ao meu blog! Abçs!

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.