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12 de março de 2010

Pequena história de GILKA MACHADO

12 de março
1893, nasceu Gilka Machado
“Ser Mulher... /... buscar um companheiro e encontrar um senhor”

Como todas as mulheres ousadas que estão um passo adiante no tempo, a escritora Gilka Machado foi desprezada, enxovalhada, ridicularizada. Os críticos chamavam seus poemas de “maratona imoral” e só os modernistas, como Mário e Oswald de Andrade, reconheceram o verdadeiro talento dela.
O que incomodava em Gilka era a denúncia da verdadeira condição social das mulheres de sua época.
Jorge Amado e outros intelectuais queriam, quando ela já estava velha, que ela se tornasse a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Já era tarde demais.
Gilka Machado nasceu no Rio de Janeiro em 12 de março de 1893, filha do também poeta Hortêncio de Gama Sousa Melo e de Thereza Cristina Muniz, atriz de rádio e teatro.
Tinha 13 anos quando se inscreveu num concurso literário, usando três pseudônimos. Ganhou os três primeiros lugares. Casou-se com Rodolfo Machado aos 17, teve dois filhos, mas, diferentemente das moças da sua época, não largou o emprego que tinha na Central do Brasil.
Em 1910 publicou um folhetim (novela em capítulos, comum nos jornais daquele tempo) que causou um tremendo escândalo porque falava em liberdade sexual.
Publicou seu primeiro livro, Cristais Partidos, aos 22 anos e causou novo escândalo por causa do conteúdo erótico de seus poemas.
Como era inevitável, encontrou sua praia quando se uniu às feministas. Foi uma das fundadoras dfo Partido Republicano Feminino.
Ficou viúva aos 23 anos.
O reconhecimento literário só veio quando ela participou, ao lado de gente já então famosa como Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade, de uma antologia poética publicada na Bolívia.
Em 1930 participou de um concurso promovido por uma das mais importantes revistas do Rio de então. O concurso visava eleger o maior poeta do Brasil. A revista convidou 200 intelectuais para votar. Gilka venceu. Teve 200 votos.
Muito amiga de Eugênia Moreyra, outra jornalista que escandalizava o Rio de Janeiro por sua liberdade, viúva, apontada nas ruas como imoral porque defendia todas as questões pelas quais as mulheres lutam até hoje, Gilka passou a vida com dificuldades financeiras. Mas criou sozinha seus dois filhos. Montou uma pensão, da qual sobrevivia.
A filha de Gilka tornou-se uma das mulheres mais famosas do Brasil nos anos 1940: a atriz e bailarinha Eros Volúsia, que foi capa da revista Life, nos Estados Unidos, em 1941 e fez filmes em Hollywood, inclusive com os então famosos humoristas Abbot&Costello.
Gilka Machado publicou 11 livros de 1915 a 1968 e teve a sua obra completa editada em 1978.
Perdeu seu filho, Hélio, em 1976.
Em 1977 Jorge Amado queria levá-la para Academia Brasileira de Letras. Ela não quis. Foi sendo esquecida e viveu toda a velhice anônima.
Morreu em 17 de dezembro de 1980, aos 87 anos de idade.
E, até hoje, apesar de ter tido seu valor sobejamente reconhecido como poeta, muitas publicações sobre a Literatura Brasileira ainda fazem questão de esquecer que ela existiu.
Ser Mulher ...

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
 
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...
 
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
 
Ser mulher, e, oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

Publicado no livro Cristais partidos (1915).
In: MACHADO, Gilka. Poesias completas. Apres. Eros Volúsia Machado. Rio de Janeiro: L. Christiano: FUNARJ, 1991, p. 106.

5 comentários :

  • Anônimo says:
    14 de março de 2010 12:30

    Se existissem mulheres nos dias de hoje como esta, estariamos já com uma mendatária no nosso país, como governadoras e quem saba até presidente.

  • Magia e Fascinação says:
    14 de março de 2010 17:05

    Gostei de conhecer a história de Gilka Machado. Sinceramente, não me lembro dela, nem mesmo na escola. Talvez, como você disse, porque a própria literatura fez questão de esquecer. Parabéns Cidreira!

  • Felina Mulher says:
    14 de março de 2010 17:57

    É sempre muito bom a partilha de informações.
    Uma grande mulher e acredito que hoje temos muitas mulheres iguais à ela.

    Meus queridos Lu e Rita, desejo uma bela noite de domingo, por cá chove muito.

    Beijos meus.

  • iza says:
    14 de março de 2010 22:30

    Lu, seu blog é muito informativo. Não conhecia essa escritora.
    Gostei de ler sobre.
    Beijos!

  • Dom Quixote (Thomaz) says:
    19 de março de 2010 13:05

    Conheço pouco a autora, mas foi bom você alertar,Lu. Vou aprofundar-me nesta leitura.Thanks.

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.