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30 de julho de 2010

A Mulher sob pressão

A Mulher sob pressão: Sociedade impõe e cobra comportamentos femininos



A Mulher sob pressão
Imagem: Paul Prescott at iStockphoto. Own site http://www.paulprescott.com/
É bem verdade que as mulheres maduras de hoje já não são como as de décadas atrás.
Longe de ser uma “senhora”, no sentido de matrona, ela é moderna, ativa, atuante, empreendedora, tem estilo, persegue seus sonhos e objetivos, gosta de se cuidar, quer estar sempre bonita e cheia de energia.
Vários setores de consumo estão se rendendo às mulheres que chegaram à maturidade, as quais, além de buscarem qualidade de vida, geralmente, têm alto poder aquisitivo. Elas são bem informadas, independentes, não acreditam em falsas promessas e, principalmente, podem pagar caro por alguns luxos.
Essas mulheres se tornaram público-alvo das pesquisas, da mídia e dos caçadores de tendências dos segmentos de cosméticos, editorial e moda. E com isso eis que surge então, a new age woman (em português, algo como “mulher de nova idade” ou “mulher de uma nova era”), ou seja, a mulher que se conserva bonita, está “inteira” e não aparenta a idade que tem.
Mulheres como Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Demi Moore, Madonna, Sharon Stone, Julianne Moore, Kim Katrall, e até Susan Sarandon, do alto de seus 63 anos, reforçam essa tendência: a valorização da mulher madura. E o Brasil, que tem como representantes Ângela Vieira, Marília Pêra, Maitê Proença e Cristiane Torloni, por exemplo, não fica de fora.
Ok, tudo bem, pessoal, fenômenos como esses, dão visibilidade às quarentonas, cinquentonas e sessentonas, mas há também – por incrível que pareça – o outro lado da moeda. Mesmo depois de tantas conquistas e transformações, a mulher (principalmente a madura) continua sendo alvo de discriminação e preconceito. Reflexos de uma sociedade patriarcal e de uma cultura extremamente machista? O fato é que ainda há aqueles que, mesmo que de uma forma velada, meio disfarçada, querem colocar a mulher para baixo.


Para a sociedade, uma mulher não pode ser feliz sem a figura masculina

Para a socióloga Dulce Vasconcelos Xavier, gerente de Políticas para Mulheres da prefeitura de São Bernardo do Campo, São Paulo, as mulheres lutam há séculos por direitos iguais e por cidadania integral, e principalmente pela igualdade de tratamento e na forma de existir. “Na minha visão, parte da sociedade já aceita a capacidade intelectual da mulher, reconhece profissionalmente, mas ainda continua a olhar a mulher como um ser que não tem condições de existir de forma plena e feliz se não estiver junto com um homem. É como se a sociedade dissesse que a mulher por si, não basta, que ela não tem o mesmo valor que o homem. Sua existência, para ser considerada como algo que vale a pena, só se estiver ‘apoiada’ num homem. Somos sempre a ‘filha’ de fulano, ou a ‘mulher’ do cicrano ou a ‘mãe’ de outra pessoa”, afirma Dulce, que dirigiu por anos uma ONG voltada para as mulheres.
A cobrança em relação à mulher está representada em muitas situações: manter a beleza física (isso geralmente não é cobrado dos homens) e a obrigação de encontrar o “príncipe encantado” são as principais.
Um homem grisalho é considerado charmoso, já a mulher é vista como velha e “desleixada” se tiver cabelos brancos. Uma mulher sem um par (marido ou namorado) é desvalorizada – para a sociedade ela é uma “coitada” – enquanto um homem na mesma situação está “curtindo a vida”. Claro, a mulher até pode sair por aí curtindo a vida, mas vai pagar um preço alto, até porque a sociedade ainda não aceita certos comportamentos femininos. Ela será vista como “prostituta”, isso para não usar termos mais grosseiros...

Por que isso ainda acontece?

Na opinião de Dulce Xavier ainda não superamos o patriarcado. Segundo ela a figura humana reconhecida como padrão de poder, respeito e admiração é o homem.

“As religiões mais antigas e influentes tem uma figura masculina de Deus. As mulheres não podiam, por muito tempo, nem se aproximar do altar católico ou de um rabino, pois elas eram e ainda são consideradas impuras. A cultura ocidental tem grande influência das doutrinas religiosas e a maioria delas vê a mulher como mãe e cuidadora, que deve estar a serviço e a disposição para o prazer do homem e o cuidado da família. Por mais que as mulheres lutem e conquistem espaços e postos antes ocupados só por homens, a sociedade ainda persiste na ideia de que o lugar dela ainda é no espaço privado – para a maternidade e o cuidado da família. Isso fica muito claro quando comparamos os dados sobre a desigualdade nos salários. No Brasil, as mulheres têm quase dois anos a mais de estudo que os homens, mas a média de salários delas é 30% menor que o dos homens”, revela Xavier.
Outro exemplo da permanência desta cultura patriarcal citado pela socióloga é a “resistência de alguns grupos em aceitar o uso de métodos contraceptivos, o que permite à mulher usufruir do prazer sexual sem ter que engravidar. O problema, para estes grupos, não é a impossibilidade de geração de novas pessoas, mas a liberdade e a autonomia que a mulher tem sobre seu próprio corpo”, completa.
E uma mulher que mora sozinha, então? É o tipo da coisa que (ainda!) não é vista com bons olhos pela sociedade. E nem adianta dizer que isso não existe mais, porque existe, sim! A mulher solteira, a partir de uma determinada idade, é a “solteirona”, “encalhada”, “ficou para titia”, enquanto o homem é considerado “bom partido”... Sem falar nos comentários preconceituosos e machistas como “Ah, ela já passou dos 40 anos, já deu o que tinha que dar...”.
E isso tudo é bem comum, não para por aí. Ao prestarmos mais atenção, veremos que esse tipo de situação acontece constantemente. Há alguns meses, uma famosa apresentadora de TV brasileira (que ainda nem tem 40 anos) terminou um namoro e um site de celebridades decretou: “fulana entrou para o ‘time das “encalhadas’”. Em uma entrevista, perguntaram à atriz americana Jennifer Anniston, que tem 41 anos, se a essa altura ainda dá para sonhar com o “príncipe encantado”... É lógico que se estivessem entrevistando um homem NÃO iriam perguntar se com essa idade ainda dá para encontrar a “princesa”. E ainda há outra questão: essa idéia do “príncipe encantado”... Detalhe: a entrevista era para uma revista feminina, ou seja, as próprias mulheres são tão ou mais machistas que os homens!
Já a filósofa e escritora Márcia Tiburi acha que “está cheio de mulheres mais velhas namorando homens mais jovens. Você sabe que o poder das mulheres hoje atrai homens, assim como o poder de homens atraiu e atrai mulheres. O poder é mais sexual do que o sexo propriamente dito. Se as mulheres ficarem poderosas serão atraentes. Nenhuma mulher com poder deixa de ter namorado. E isso não tem nada a ver com idade. Essa conversa de que mulheres mais velhas estão em baixa é um jeito de tentar diminuir as mulheres. Tirar delas o seu poder.” Para Márcia, o “príncipe encantado” é uma mercadoria. “Claro que as revistas que transformam tudo em mercadoria e sobrevivem de clichês vão continuar investindo nisso. Quer mercadoria melhor do que um clichê?”, desafia Márcia.
Em relação àqueles que chamam uma mulher que está sozinha de “encalhada”, a filósofa, assumidamente feminista, diz que isso é coisa de “gente demodê, que não chegou ainda no tempo presente. E as mulheres que ainda acreditam nisso não raciocinaram sobre a nova ordem das coisas.”

Segundo a socióloga Dulce, que já deu palestras em vários países discutindo sobre o direito da mulher à autonomia, a grande luta que ainda temos que travar é o direito de decidir sobre nós mesmas. O direito de ter autonomia e de sermos donas de nossas vidas. O direito de sermos tratadas e consideradas como iguais. “Ganharmos os mesmos salários para a mesma função, sermos avaliadas por nossa capacidade profissional e não por ainda sermos consideradas mais adequadas para determinadas profissões ou porque temos um tipo físico “adequado” aos padrões (equivocados) de consumo de beleza; ter a mesma condição de disputar um cargo eletivo, ou simplesmente ter direito de ir a um bar e tomar uma cerveja com uma amiga e não ser considerada uma vadia por isso. Poder decidir se queremos ter filhos ou não e não criminalizada pela decisão de interromper uma gravidez, mas ter o direito ao tratamento médico digno, com critérios.” diz a socióloga.
Por fim Dulce considera importante romper com os estereótipos definidos pela cultura patriarcal que determina papéis limitados para homens e para mulheres. “Os dois são capazes de serem inteligentes e gentis, de terem quaisquer profissões, de cuidarem bem de filhos e das tarefas da casa, assim como serem presidentes, líderes religiosas/os, entre outras coisas boas que os seres humanos podem fazer. Precisamos mudar leis ainda para garantir os direitos das mulheres, mas mais do que isso, precisamos mudar comportamentos para respeitar a mulher como igual ao homem, respeitar as suas reivindicações e necessidades específicas”, conclama a socióloga.
Por fim, que vale a pena registrar: o biólogo Sérgio Greif, de 35 anos, casado, tem muitas amigas mulheres e confessa que até já se assumiu como conselheiro amoroso, uma vez que essas amigas sempre pedem dicas sobre homens e relacionamentos.
Para uma delas, em especial, que está solteira, a sugestão de Sérgio é que ela fique sozinha. O biólogo diz que “ela é linda, maravilhosa, cheirosa, inteligente e só aparece traste na vida dela.” Ele diz que ela está acostumada a viver sem ninguém, então “para que arrumar um cara que não a merece? Só para não ficar sozinha? Quem vive bem sozinho não tem obrigação de se aninhar com ninguém, muitas mulheres acabam ficando com quem não as merece porque a sociedade cobra.”

Bravo, Sérgio!
Recebido por e-mail da amiga Sônia Miné.: soniamariamine@hotmail.com

6 comentários :

  • Guará Matos says:
    30 de julho de 2010 16:47

    A mulher a cada conquista mais, apesar dos resquício colonial, marchista ou qualquer outro rótulo que se encaixe.
    Foram séculos de dominação, apesar de lenta, é normal que o progresso venha aos poucos.
    E também já esta na hora de esquecer o passado. A tendência é "brigar" no presente.
    É apoiar a mulher mais carente, sem cultura, analfabeta. A mulher violentada na sua dignidade. Aquela que é espancada por seus companeheiros.
    As que alcançaram o sucesso, a faculdade, o bom emprego já estão seguindo em frente e não são coitadas.
    Temos que olhar para os abandonos.

    Bjs.

  • Cris says:
    30 de julho de 2010 20:38

    Penso que falar de homens e mulheres é sempre polêmico.
    Sou mãe, professora, tia, filha, irmã, amiga...
    Os homens que me rodeiam (ou que fazem parte da minha vida), não são diferentes!
    O preconceito existe!
    Mas...OLHAR o próximo, sem distinção de sexo, é olhar o mundo, a sociedade, a VIDA, com o que há de mais carente nela.
    Beijo!

  • FERNANDO says:
    1 de agosto de 2010 09:24

    Oi, Luizão.
    Comentar essa postagem em nível de detalhes daria margem a um texto enorme, de maneira que vou me restringir a parabenizar o amigo pela escolha do tema e desejar-lhe um ótimo domingo e uma excelente semana.
    Abraços e até mais ler.

  • Pelos caminhos da vida. says:
    1 de agosto de 2010 14:39

    Passando rapidinho só pra avisar que estou de volta.

    Senti tantas saudades desse mundo fascinante da blogsfera, dos amigos, é muito bom estar de volta.

    beijooo.

  • Dom Quixote (Thomaz) says:
    1 de agosto de 2010 18:48

    Uma mulher que tem o que dizer independe da idade. Nos dias de hoje, com a mulher tendo sua independência financeira, ela já se ombreou ao homem, e pode tomar as decisões que julgar mais acertadas para sua vida.

  • Tania regina Contreiras says:
    2 de agosto de 2010 12:47

    Oi, Lu, você sempre atenado com os temas mais atuais, não? Eu acredito que há muito ainda o que mudar, mas, se olharmos para trás, nossa: foram muitas as conquistas das mulheres! E como a luta continua, continuemos a abrir espaços e a buscar mudar esses conceitos ultrapssados, resuícios do patriarcado.
    Grande abraço,
    Tânia

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.