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20 de agosto de 2010

NÃO QUERO SER BAIANO!

NÃO QUERO SER BAIANO! (LEIA O TEXTO TODO,NÃO TIRE CONCLUSÕES PRECIPITAS)‏

Me chamo Elilson Cabral, sou de uma pequena cidade no interior do Rio

Grande do Sul, chamada Capão da Canoa, e estava cansado em ouvir falar dos baianos e de sua “Vasta Cultura”. Não suportava mais ouvir nos veículos de comunicação o quanto a Bahia era perfeita, suas praias paradisíacas, seus artistas infindos, cansei de ouvir: Baiano não nasce, estréia. Olhava pro rosto do povo Rio Grandense e via neles tanto ou mais “cultura” que nos baianos, a Bocha, a Milonga, a Guarânia, o chimarrão e não só as danças, ritmos ou indumentárias, mas todo sentimento que exalava do nosso cotidiano. “Cultura”, isso nós
tínhamos, e tínhamos mais e melhor, afinal o que o mundo via na Bahia que não via em nós?


Resolvi então descobrir o que é que a Bahia tem. Tirei dois
anos da minha vida para conhecer a Bahia e toda sua “Cultura”, para poder mostrar pra o Brasil que existimos e que somos tão bons quantos qualquer outro brasileiro.
No dia 03 de Outubro de 1999 desembarquei no aeroporto Luiz Eduardo Magalhães, e logo de cara ao contrario de baianas com suas roupas pomposas e suas barracas de acarajé, dei de cara com um taxista mal humorado porque tinham lhe roubado o aparelho celular, começava então
minha árdua luta pra provar que baiano como qualquer um outro brasileiro nascia de um ventre e não de traz das cortinas.
Alguns quilômetros à frente já estava tentando arrancar do taxista as
informações que pudessem servir de base para minhas teorias, afinal eu
precisava preencher uma serie de lacunas sobre os baianos e suas
“baianices”. Seu Ivo, era como se chamava o simpático taxista falava
sem parar, com uma voz de ritmo pausado e sem pressa para me explicar,
ia ele contando-me toda historia de salvador e sua política:
- Ah! Essa política é uma “fuleiragem”, é sempre eles nos roubando e
agente votando nos mesmo sacanas que nos roubam.


Me chamou a atenção como ele não media palavras para definir os seus governantes. Mas até então nada na Bahia me encantara, nada de magia, nada de beleza. Chegando ao hotel onde ficaria durante esse período fui então programar minhas estratégias e resolvi logo ir ao local mais badalado da Bahia, O pelourinho. Chegando ao bairro mais uma vez nada de surpresa, casas antigas, pessoas e cabelos, trançados, espichados, alisados, pintados, enfim, coisas da Bahia. Senti um cheiro muito forte de dendê (ao menos eu achava que era dendê), nunca sentira aroma igual. Então avistei numa varanda pequena uma senhora e duas crianças que brincavam de aprender a fazer acarajé, parei e fiquei olhando tentando colher informações para meu “dossiê”.

  - Entra seu moço! Foi o que logo ouvi, meio sem jeito fui logo pra perto do fogão, o cheiro era cada vez mais forte e envolvente.
- O senhor quer uma?
- Claro!
Ia perder a oportunidade de comer a iguaria baiana mais famosa e poder dar meu parecer a respeito? Jamais. Dei a primeira mordida e sentir-me como se tivesse numa fornalha, aquilo queimava, ardia e pasmem era
muito gostoso, tentava parar de comer, mas quanto mais tentava mais me lambuzada com aquele recheio que eles chamavam de VATAPÁ. Delicioso!
Enfim a Bahia tem algo de bom, mais é isso que encanta na Bahia? Bem vou encurtar minha historia para que vocês leitores dessa revista não fiquem entediados.

Passei dois anos viajando por toda Bahia, suas praias paradisíacas, ouvindo e vendo seus artistas, e saboreando de sua cultura e consegui chegar a um denominador comum, consegui alcançar o tanto procurava.
Enfim os baianos não são melhores que nós Gaúchos, na realidade somo até mais civilizados que eles, porém, uma coisa nesses dois anos me chamou a atenção, vou dizer-lhes qual foi. Ao voltar para minha linda cidade no interior do Rio Grande do Sul sentir-me como se estivesse pousado no meu planeta, e logo escrevi um artigo pra uma revista falando da minha “descoberta” e depois de publicada fique de bem comigo mesmo e com minha terra, agora sim estou leve.
Agora sim?
Ainda não!
Passei os meus dias tentando entender porque sentia tanta falta da Bahia, porque sentia falta de meu vizinho Dorgival, do rapaz que passava vendendo sacolé, do João da barraca de água de coco, meu Deus porque esse vazio? Foi então que descobri o que é que a Bahia tem. Sem pretensão de ofender os meus, digo-lhes que, jamais verei nos sorrisos gaúchos a beleza da sinceridade baiana, jamais sentirei nas percussões de cá o pulsar dos meninos negros de pés descalços que “oloduavam” sem ter medo da dureza futura, jamais terei no abraço de meus parentes o calor que sentia ao ser abraçado pela vendedora de cocada de araçá que toda tardinha teimava em insistir pra que eu comprasse mais uma, jamais sentirei nos territórios daqui o cheiro de dendê, puxa o dendê que nem mesmo sabia o seu cheiro e o reconheci assim, de pronto, queridos conterrâneos, na nação de lá eles andam descalços mesmo os adultos e não é por não terem calçados, eles gostam de viver assim, a chuva não é apenas suprimento e fartura, é diversão, quantas vezes corri pela chuva com o André, filho de Dona Zete, seguindo o caminho que ela fazia no meio da calçada. Amigos, naquela nação os cabelos são como roupas, as roupas são como armas e as armas são os instrumentos, que levam uma multidão para uma batalha que dura 7 dias e que sempre acaba em vitória para ambos os lados, uma cabaça é motivo de festa, um
fio de arame motivo pra luta (de capoeira), dois homens juntos é motivo pra samba, pagode, e festa. E pasmem queridos patrícios, eles trabalham, e muito, no tabuleiro de cocada, na frente de um volante, com uma baqueta nas mãos, trabalham sim. Não quero ser baiano! Sou gaúcho! Sou brasileiro! Mas nunca imaginei que conheceria um Brasil que jamais pensei achar exatamente na Bahia, exatamente lá, do outro lado, na outra nação. Não quero me separar deles, não quero perder o direito de dizer que sou brasileiro e que tenho a Bahia como pedaço de mim. Não quero ser baiano, mas mesmo assim não consigo não ser.
Jamais saberia que seria necessário ir à Bahia para conhecer o Brasil.
 Texto do jornalista Gaúcho: Elilson Nunes Cabral Filho
 Recebido por E-mail de amigos gaúcos residentes em Porto Alegre e região metropolitana.
 Fotos: Luiz Cidreira e Google Imagem 
 Edição e montagem de fotos: Luiz Cidreira

13 comentários :

  • Vera says:
    21 de agosto de 2010 00:50

    Adorei ler este texto. Tambem nao queria ser baiana pois sou paulista de Jundiai. Mas, sou e adoro ser!!!(vivo na Bahia desde meus 6 anos de idade!)
    Beijossss

  • Wanderley Elian Lima says:
    21 de agosto de 2010 07:25

    Oi Lu
    Gostei do texto. Acho que a experiência do autor, serve para qualquer Estado brasileiro e mesmo para outro país. Você só conhece bem um lugar, depois de conhecer bem seu povo.
    Abração

  • Denise Guerra says:
    21 de agosto de 2010 07:43

    Oi Lu, muito legal este texto! Eu não queria ser natural de qualquer outro lugar que não fosse o Rio de Janeiro pois, amo a minha cidade maravilhosa e toda esta cultura linda que temos, mas, acredito que a Bahia é um pedaço de todos nós brasileiros, um modo de viver ritmado ao som dos tambores que envolve a todos. Salve a Bahia! Bjs!

  • FERNANDO says:
    21 de agosto de 2010 09:04

    Oi, meu rei.
    Você me fez lembrar do impagável João Gilberto, interpretando a também impagável cação do Dorival Caymmi: http://letras.terra.com.br/joao-gilberto/618227/.
    Abraços, bom final de semana e até mais ler, meu bom.

  • Dom Quixote (Thomaz) says:
    21 de agosto de 2010 09:08

    Amei o texto! Os baianos reamente são mestres em ensinar como desfrutar a vida com toda intensidade. Com uma vantagem: sabem tirar proveito de saborear as coisas simples da vida, tornando-as um grande banquete.

  • Tania regina Contreiras says:
    21 de agosto de 2010 11:28

    A Bahia é Brasil, o Brasil é rico e belo, mas a Bahia tem, sim, uma magia especial. Apesar de todas as mazelas que vivenciamos, tenho orgulho de ser brasileira e de ser baiana!
    Beijos

  • Marcos Mariano says:
    21 de agosto de 2010 12:03

    Ola amigo Lu

    adorei esse post
    eu acho que não existe no Brasil
    nem hum outro estado que defina o que é ser Brasileiro como a Bahia,
    nunca visitei a Bahia, mais pelas poucas informações que tenho, posso dizer concerteza, se Deus fosse Brasileiro, ele seria Baihano.

    grande abraço

  • Lily says:
    21 de agosto de 2010 12:58

    Meu Deus! Que lindo este texto! Fiquei arrepiada, emocionada... Eu sou mineira, hoje, vivo na América, seu moço. Mas, se um dia, eu voltar para o Brasil, eu quero viver na Bahia. Eu amo aquela terra, eu amo aquele povo lutador, mas sempre sorridente, atencioso, simpático. Eu sei que mineiro também possui essas qualidades, mas a diferença gritante: o mineiro vive aprisionado em suas montanhas e o baiano é livre, é pés no chão. O baiano possui o sotaque mais belo de todos, o baiano é gente que sabe viver e sabe que sabe.

    Beijos!

  • Lily says:
    21 de agosto de 2010 13:01

    Ah!, me esqueci de escrever: eu não sei também de onde vem toda a magia que nos prende... falo que é a água que tu bebes por lá, penso que é o calor, as rezas, penso que é tudo aquilo que não se pode ver, apenas sentir.

    Beijos!

  • Cris says:
    21 de agosto de 2010 14:32

    Que lindo texto!
    Não somos gaúchos, mineiros, cariocas, paulistas, baianos, somos brasileiros.
    Acima de tudo.
    Beijos!

  • Guará Matos says:
    21 de agosto de 2010 16:58

    E viva o que temos! Diferenças, Culturas e Brasil.
    Bjs.

  • Óleo says:
    22 de agosto de 2010 10:19

    A Bahia é o estado mais humano dessa nação. Carinhosamente Óleo.

  • Prof. Adinalzir says:
    24 de agosto de 2010 20:52

    Depois de ler o texto.
    Só posso dizer: Viva a Bahia e viva os baianos!

    Fique com Deus!

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.