Quem sou eu

Minha foto
Sou Guerreira, romântica, poeta, escritora, paciente, prudente, perseverante, amante da natureza...

Follow by Email

Minha lista de blogs

Dias de Vida do blog

Total de visualizações de página

12 de agosto de 2010

Revolta de Búzios ou Conjuração Baiana de 1798:


         A Revolta dos Buzios 212 anos. Agosto de 2010.
               No periódo de 12 a 25 de agosto de 1798


A Conjuração Baiana, também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este ofício), foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no ocaso do século XVIII, na então Capitania da Bahia, no Estado do Brasil. Diferentemente da Inconfidência Mineira (1789), se reveste de caráter popular.

Antecedentes
Sendo a então Capitania da Bahia governada por D. Fernando José de Portugal e Castro (1788-1801), a capital, Salvador, fervilhava com queixas contra o governo, cuja política elevava os preços das mercadorias mais essenciais, causando a falta de alimentos, chegando o povo a arrombar os açougues, antes da ausência de carne.

O clima de insubordinação contaminou os quartéis, e as ideias nativistas que já haviam animado Minas Gerais, foram amplamente divulgadas, encontrando eco sobretudo nas classes mais humildes.
A todos influenciava o exemplo da independência das Treze Colônias Inglesas, e idéias iluministas, republicanas e emancipacionistas eram difundidas também por uma parte da elite culta, reunida em associações como a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz.




Idéias
Seu principal lider foi Cipriano Barata, conhecido como médico dos pobres e revolucionário de todas a revoluções. Há grande influência da sociedade maçônica(cavaleiros da luz) e do processo de independência do Haiti ou, haitianismo.

Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma República na Bahia e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos soldados. Tais ideias eram divulgadas sobretudo pelos escritos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e panfletos de Cipriano Barata, médico e filósofo.


A Revolta
Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos.



Um desses panfletos declarava:


"Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais." (in: RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. p. 68.)

A Repressão
Durante a fase de repressão, centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, quarenta e nove foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência.
Finalmente, no dia 8 de Novembro de 1799, procedeu-se à execução dos condenados à pena capital, por enforcamento, na seguinte ordem: soldado Lucas Dantas do Amorim Torres;aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira; soldado Luís Gonzaga das Virgens; e mestre alfaiate João de Deus Nascimento.
O quinto condenado à pena capital, o ourives Luís Pires, fugitivo, jamais foi localizado. Pela sentença, todos tiveram os seus nomes e memórias "malditos" até à 3a. geração. Os despojos dos executados foram expostos da seguinte forma: a cabeça de Lucas Dantas ficou espetada no Campo do Dique do Desterro; a de Manuel Faustino, no Cruzeiro de São Francisco; a de João de Deus, na Rua Direita do Palácio (atual Rua Chile); e a cabeça e as mãos de Luís Gonzaga ficaram pregadas na forca, levantada na Praça da Piedade, então a principal da cidade.
Esses despojos ficaram à vista, para exemplo da população, por cinco dias, tendo sido recolhidos no dia 13 pela Santa Casa de Misericórdia (instituição responsável pelos cemitérios à época do Brasil Colônia), que os fez sepultar em local desconhecido.
Os demais envolvidos foram condenados à pena de degredo, agravada com a determinação de ser sofrido na costa Ocidental da África, fora dos domínios de Portugal, o que equivalia à morte. Foram eles:
José de Freitas Sacota e Romão Pinheiro, deixados em Acará, sob domínio holandês; Manuel de Santana em Aquito, então domínio dinamarquês; Inácio da Silva Pimentel, no Castelo da Mina, sob domínio holandês; Luís de França Pires em Cabo Corso; José Félix da Costa em Fortaleza do Moura; José do Sacramento em Comenda, sob domínio inglês.
Cada um recebeu publicamente 500 chibatadas no Pelourinho, à época no Terreiro de Jesus, e foram depois conduzidos para assistir a execução dos sentenciados à pena capital. A estes degredados acrescentavam-se os nomes de: Pedro Leão de Aguilar Pantoja degredado no Presídio de Benguela por 10 anos; o escravo Cosme Damião Pereira Bastos, degredado por cinco anos em Angola; os escravos Inácio Pires e Manuel José de Vera Cruz, condenados a 500 chibatadas, ficando seus senhores obrigados a vendê-los para fora da Capitania da Bahia; José Raimundo Barata de Almeida, degredado para a ilha de Fernando de Noronha; os tenentes Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja e José Gomes de Oliveira Borges, permaneceram detidos por seis meses em Salvador;
Cipriano Barata, detido a 19 de Setembro de 1798, solto em Janeiro de 1800.

Conclusão
O movimento envolveu indivíduos de setores urbanos e marginalizados na produção da riqueza colonial, que se revoltaram contra o sistema que lhes impedia perspectivas de ascensão social. O seu descontentamento voltava-se contra a elevada carga de impostos cobrada pela Coroa portuguesa e contra o sistema escravista colonial, o que tornava as suas reivindicações particularmente perturbadoras para as elites. A revolta resultou em um dos projetos mais radicais do período colonial, propondo idealmente uma nova sociedade igualitária e democrática. Foi barbaramente punida pela Coroa de Portugal. Este movimento, entretanto, deixou profundas marcas na sociedade soteropolitana, a ponto tal que o movimento emancipacionista eclodiu novamente, em 1821, culminando na guerra pela Independência da Bahia, concretizada em 2 de julho de 1823, formando parte da nação que emancipara-se a 7 de setembro do ano anterior, sob império de D. Pedro I.

Bibliografia
TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia (10a. ed.). São Paulo: Editora UNESP; Salvador (BA): EDUFBA, 2001. 544p. il. mapas. ISBN 8571393702

A Wikipédia possui o Portal da Bahia. Artigos sobre história, cultura, personalidades e geografia.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Conjura%C3%A7%C3%A3o_baiana"
Categorias: Conjuração baiana | Escravidão no Brasil

PARA SABER MAIS
A Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates também é conhecida como A Revolta dos Búzios. Os quatro condenados à morte por enforcamento eram todos afro-descendentes e estão relacionados no ensaio de autoria de Carlos Eugênio Marcondes de Moura, "O negro na formação cultural do Brasil. Tentativa de nominata e iconografia". In: Araujo, Emanoel (org.). A mão afro-brasileira. Significado da contribuição artística e histórica. São Paulo, Tenenge, 1988, p. 380



Imagens: Google Imagens


Este link foi uma homenágem do Blog da Escola Santa Terezinha - Aracajú ao nosso autor Lu Cidreira, ficamos felizes e orgulhosos de ver a materia publicada le, agradeço de coração a Professora Carla Fernanda por isso.

Click aqui e vejam:
Blog da Escola Santa Terezinha/Aracaju: Linda escultura Lu!



9 comentários :

  • Cris says:
    12 de agosto de 2010 21:58

    "Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais." (in: RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. p. 68.)
    Como diria Cazuza: "Ideologia! Eu quero uma pra viver."
    Belo artigo! A história é sempre bem vinda.
    Bjo.

  • Tania regina Contreiras says:
    12 de agosto de 2010 22:33

    Belo artigo. Desse gostei, nãogostei do anterior não.
    Beijos, Lu

  • Rita Cidreira says:
    13 de agosto de 2010 11:27

    Cris, obrigada pela participação, beijos.
    Tania, agradeço sua participação e fico feliz por ser sincera, gosto disso. Beijos.

  • Espaço Aberto says:
    13 de agosto de 2010 21:34

    Oi, Lu!

    Muito obrigado pela visita lá no Espaço Aberto.
    Esperamos vê-la por lá novamente, participando das nossas interações.

    Volte sempre a nos visitar!

  • formaxima.com says:
    14 de agosto de 2010 17:58

    Lucidreira passei para conhecer seu blog ele é not°10, show, espetacular desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
    Um grande abraço e tudo de bom
    Ass:Rodrigo Rocha

  • Felina Mulher says:
    14 de agosto de 2010 21:19

    Um artigo muito bom Lu....obrigada pela partilha sempreee!


    Um beijo meus amores.

  • Eduardo says:
    14 de agosto de 2010 23:28

    Olá, estamos aqui a estudar uma passagem da historia que não conheciamos, parabenizo e damos os parabéns por ter um blog diversificado, educativo, e com conteúdo informativo.
    Abraço

  • Prof. Adinalzir says:
    15 de agosto de 2010 19:10

    Aí está um outro nome da Conjuração Baiana que eu ainda não conhecia, Revolta de Búzios.

    Visitando e aprendendo nos blogs do Lucidreira.

    Valeu pela visita ao Saiba História!

  • Victor Faria says:
    15 de agosto de 2010 19:19

    Também não sabia desse outro nome. Semprei estudei como Conjuração Baiana.

    Ótimo post!

    Anraço!

Comentários atuais

Seguidores

assine o feed

siga no Twitter

Postagens

acompanhe

Comentários

comente também

Uol

Gostou do Blog? Então doe um drinque?

Estamos no Google+

Google+ Followers

Lançamento do livro de Rita Cidreira

Lançamento do livro de Rita Cidreira
Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.