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21 de outubro de 2010

Solidão contente por Ivan Martins

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O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas.
  

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.
Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.
“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.


Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.
Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.
Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.
Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil. 


Recebi por e-mail da minha irmã, Acácia Maria de J. Cidreira que mora no Rio de Janeiro, achei muito interessante e resolvi postar para que nossos amigos curtam essa mensagem. Agradeço por compartilhar temas interessantes e relevantes.

Fonte: Revista Época: Por Ivan Martins Editor da revista Época

11 comentários :

  • Professora Carla Fernanda says:
    21 de outubro de 2010 22:08

    Boa noite Lu! Olha que é vivendo que se aprende. Acho que o medo da solidão é para quem não aprendeu a gostar de si mesmo. Lógico que por trás dessa completude existe muita experiência e vivência. São conquistas que vão chegando com a idade, que sempre trás amadurecimento e confiança própria.
    Esta preferência em estar só também protege, dá segurança...algumas pessoas têm medo também de se arriscar e preferem se dar mais valor.
    Carla Fernanda

  • Guará Matos says:
    21 de outubro de 2010 22:56

    OI! O JORNAL AFOGANDO O GANSO/ http://afogandooganso.blogspot.com com intuito de se expandir se torna a partir de hoje um veículo multimídia e conta com você e seus amigo para que o crescimento seja verdadeiro.

    Conheça as mudanças na página principal, onde apresento um “tutorial” com as novas opções e conheça o “Menu Suspenso” com os novos caminhos.

    Aguardo-lhe,
    Abraços.

  • Guará Matos says:
    21 de outubro de 2010 23:01

    OI! O JORNAL AFOGANDO O GANSO/ http://afogandooganso.blogspot.com com intuito de se expandir se torna a partir de hoje um veículo multimídia e conta com você e seus amigo para que o crescimento seja verdadeiro.

    Conheça as mudanças na página principal, onde apresento um “tutorial” com as novas opções e conheça o “Menu Suspenso” com os novos caminhos.

    Aguardo-lhe,
    Abraços.

  • Wanderley Elian Lima says:
    22 de outubro de 2010 09:19

    Oi Lu
    Grande observações você faz em seu texto. Acho que as mulheres são bem menos dependentes que os homens. Os homens são eternamente carentes de mãe e sempre estão procurando nas mulheres, alguém a a substitua. As mulheres são mais resolvidas psicologicamente.
    Abração

  • Espaço Aberto says:
    22 de outubro de 2010 17:35

    É sempre muito bom receber os amigos em nosso Espaço Aberto. A manifestação de todos sobre o texto da Déia, trouxe muita emoção para todos nós. E só temos a agradecer a sua participação nesse momento tão rico.
    Uma nova postagem aguarda a sua apreciação!
    Tenha um ótimo final de semana e até breve!

  • ONG ALERTA says:
    22 de outubro de 2010 20:49

    A vida são escolhas, beijo Lisette.

  • Kamilla Mengali says:
    22 de outubro de 2010 23:15

    Oi. Bom seu texto é esclarecedor e de fácil compreensão. Onde você errou? Ao julgar. Não julgar as mulheres em si, mas sim sua falta de conhecimento do nosso mundo. Seja qual for a razão a sua paixão so fez alterar no meu julgamento uma vez que você tinha inveja e ciúmes daqueles momentos "dela". E a verdade é que o mundo feminino é simples e não existe o que complicar. O fato de estar só não significa sozinho e por assim vai mil e um exemplo que eu posso usar aqui mas o final vai apenas um, livre-arbítrio.
    A escolha sendo homem ou mulher de cada um. Algumas vezes chegamos em um estagio em nossas vidas que optamos pelo sô por não julgar alguma companhia melhor, fui clara?
    Acho que não. Mas enfim é isso.

  • Vampira Dea says:
    23 de outubro de 2010 00:36

    Realmente é muito gostoso ficar só, lendo , ouvindo música ou cuidando um pouco de si, mas isso não é coisa fácil de conseguir não viu rsrsr. Um beijão

  • Cris says:
    23 de outubro de 2010 09:44

    Independente dos que já conseguiram ...será que algum dia homens e mulheres vão conversar sobre seus prós e contras e entrar num acordo?
    Enfim... Vida é vida, cada um é cada um.
    Belo texto.
    Penso que tem muito da realidade Homem/Mulher.
    Parabéns!
    Beijo.

  • Professora Carla Fernanda says:
    23 de outubro de 2010 19:41

    Oi Lu!! Bom fim de semana!
    Carla Fernanda

  • Prof. Adinalzir says:
    23 de outubro de 2010 21:20

    Achei ótima as observações que você faz em seu texto. São de uma verdade sem igual. Com certeza, precisamos aprender muito com as mulheres.

    Conto com seu voto e seu apoio no TopBlog!

    Abraços, :-)

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.