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28 de fevereiro de 2011

28 de fevereiro morte-Chiquinha Gonzaga

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, compositora, pianista e regente, nasceu no Rio de Janeiro a 17 de outubro de 1847 e morreu na mesma cidade em 28 de fevereiro de 1935.
Filha de uma família do Império, aos 11 anos compôs a sua primeira música. Casou-se aos 16 anos (5/11/1863), e, aos 18, mãe de quatro filhos (três com Jacinto Ribeiro do Amaral e uma filha com João Baptista de Carvalho), abandonou o marido (oficial da Marinha mercante) e levando consigo o filho mais velho (João Gualberto), passou a viver com um engenheiro de estradas de ferro, de quem também se separou logo depois.
Chiquinha Gonzaga
Francisca Edwiges Neves Gonzaga
Enfrentando todos os preconceitos de seu tempo, Chiquinha foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Lecionava piano para poder sustentar seus filhos. Musicou aproximadamente 77 peças de teatro.
Sua obra reúne composições nos mais variados gêneros: valsas, polcas, tangos, maxixes, lundus, fados, serenatas, músicas sacras, entre outras.
Participou ativamente do movimento pela libertação dos escravos.
Em 1998 a cantora Olívia Hime reúne músicas esquecidas da compositoras, convida conceituados poetas para lhes fazer letra e grava um CD pelo selo Quarup.
Em janeiro de 1999, estreou na rede Globo de Televisão uma minissérie sobre a sua vida, vivida, em suas respectivas fases, pelas atrizes Regina e Gabriela Duarte (mãe e filha).
Principais obras
Atraente
Casa de caboclo (Em parceria com Luiz Peixoto)
Faceiro
Falena
Gaúcho (Corta-jaca)
Lua branca
Ó abre alas
Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 17.10.1847 na cidade do Rio de Janeiro, filha de José Basileu, então 1º tenente, mais tarde marechal, e da modesta mestiça Maria. O casamento de ambos só seria formalizado 3 anos depois. A avó paterna de Chiquinha tinha parentesco com a avó paterna do então Marquês de Caxias.
Chiquinha recebeu boa educação geral e adequada formação musical, tendo aulas provavelmente com o maestro Elias Álvares Lobo. Com 16 anos, em 1863, casa-se com Jacinto do Amaral, 8 anos mais velho, moço de posses e projetos ambiciosos, nascendo-lhes logo 2 filhos: João Gualberto e Maria do Patrocínio. Jacinto, muito ciumento, obrigou-a e o filho João Gualberto a acompanhá-los em penosas viagens do seu navio cargueiro até o Paraguai durante a guerra de Solano Lopes, que fretava para transportar armas, soldados e escravos.
O casamento não era feliz, pois Jacinto, intransigente, não admitia que Chiquinha cultivasse a música, que tanto amava, no piano que levara no dote. Por fim, impõe-lhe um dilema: ele ou a música! Chiquinha não tem dúvidas: "Pois, senhor meu marido, eu não entendo a vida sem harmonia!"
Deixa então a casa, mas volta porque se descobre grávida de um terceiro filho: Hilário. Pouco depois, contudo, abandona de vez o lar, para escândalo da sociedade patriarcal e repúdio do pai, que a "declara morta e de nome impronunciável".
Nessa ocasião, passa a freqüentar o ambiente masculino e nada recomendável dos músicos populares tornando-se amiga do grande flautista e compositor Calado, considerado o Pai dos Chorões Brasileiros, que muito a estimava. Também se liga apaixonadamente a João Batista, jovem e rico engenheiro de inclinação boêmia. Para continuar junto dele, e ao mesmo tempo aliviar as pressões na Corte, não hesita em acompanhá-lo quando é contratado para dirigir a construção de linha férrea no interior de Minas Gerais.
Terminado o contrato em 1875, voltam para o Rio de Janeiro havendo o nascimento de uma filha de ambos: Alice. João Batista resolve de novo fixar-se em Minas, numa fazenda de sua propriedade. Chiquinha, cansada do seu comportamento mulherengo, logo o deixa, sendo a gota d'água o episódio em que o surpreende com outra. Apesar dos pesares, João Batista foi o grande amor de sua vida.
Com o primogênito João Gualberto, Chiquinha vai residir no bairro de São Cristóvão, no Rio. Precisa trabalhar para sobreviver e, para isso, ministra aulas particulares de disciplinas escolares e de piano. Reaproxima-se do amigo Calado, com quem consegue alunos de piano e a oportunidade de tocar em grupos de choro. Historicamente, é a primeira mulher e o primeiro pianista do choro. Ao mesmo tempo, encontra na composição de músicas outro caminho para algum ganho e expressão de sua arte.
Com a primeira música que consegue imprimir, a polca Atraente, em 1877, obtém uma aceitação extraordinária, traduzida em mais de 15 edições. Daí em diante, fica cada vez mais conhecida à medida que são editadas outras músicas em papel e, mais tarde, pode apresentá-las no teatro musicado.
Famosa e comentada, alvo da maledicência e de preconceitos, tem ativa participação nos movimentos que empolgam a época, como a revolta, em 1880, contra o imposto do vintém nas passagens dos bondes, a abolição da escravatura, finalmente alcançada em 1888, e a implantação da República no ano seguinte.
Em 1885, já tinha derrubado outras barreiras. Na terceira tentativa, consegue com que uma peça de sua autoria, A Corte na Roça, seja encenada. As duas anteriores com músicas suas, Viagem ao Panasco e Festa de São João, não foram aceitas pelo fato de ser mulher e não haver precedente. Torna-se, assim, a primeira compositora brasileira a ser levada à cena. Nesse mesmo ano, num espetáculo em seu benefício, consagra-se igualmente como a primeira mulher a dirigir uma orquestra, portanto a primeira maestrina que tivemos.
Em 1899, para o Cordão Rosa de Ouro, do Andaraí, compõe a marchinha de rancho Abre Alas, considerada a primeira música composta especialmente para o carnaval, desde então símbolo do mesmo, ainda que decorrido todo um século.
Seu coração inquieto e ardente ainda tinha espaço para o amor. Também em 1899, já com 52 anos, une-se a João Batista, de apenas 16 anos, e o apresenta como filho, solução que julga suficiente para evitar maiores constrangimentos. Os que a conhecem, por admiração e amizade, fingem acreditar. Malgrado a diferença chocante de idade, foi uma união tão forte que duraria até seu falecimento, e mais além, já que Joãozinho jamais trairia a memória da "mãe" com revelações indiscretas.
Por 3 vezes esteve em Portugal. A primeira em 1902, desembarcando na volta com o "filho" Joãozinho, que por fim assumia publicamente, mas que ninguém conhecia, apesar de já bem criado. Na viagem de 1904, sempre com Joãozinho ao seu lado, passa meses. Na última viagem, que durou de 1906 a 1909, e que desenvolve atividade profissional, com destaque, no teatro de revistas português.
De novo no Brasil, toma pé no meio musical, nada mais que a retomada do seu legítimo lugar, para assinalar, em 1912, o maior êxito, até hoje, do teatro brasileiro, a burleta Forrobodó, com texto de Carlos Bettencourt e Luiz Peixoto. Outras peças de Chiquinha, nos anos seguintes, continuariam a merecer o favor do público, entremeadas com o escândalo que foi a execução, mesmo que apenas em solo de violão, do seu popularíssimo tango Corta-Jaca, em 1914, no Palácio do Catete, por decisão de Nair de Tefé, mulher do presidente Hermes da Fonseca.
Sempre lutadora, levantou também bem alto a bandeira do direito autoral. Era a única mulher entre os 21 fundadores, em 1917, da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), que acompanharia de perto no seu dia-a-dia enquanto viveu. A SBAT muito deveu também a Joãozinho Gonzaga, seu funcionário, incansável na cobrança dos direitos. Reconhecendo os bons serviços prestados, a SBAT, em assembléia, mesmo não sendo ele escritor, considerou-o o sócio-efetivo e benemérito.
Até falecer, em 28.2.1935, no Rio de Janeiro, com 87 anos, Chiquinha não sentiu esgotada a sua capacidade criativa. Em 1933, era levada à cena sua última peça original, Maria, no Teatro Recreio, tendo texto de Viriato Corrêa, com quem tinha marcado os êxitos memoráveis de A Sertaneja, em 1915, e Juriti, em 1919.
Maior vulto de compositora popular brasileira, Francisca Edwiges Neves Gonzaga contribuiu, inestimavelmente, para a formação do nosso nacionalismo musical e, tantas vezes pioneira, teve a coragem de viver, com intensidade e desassombro, tudo o que lhe ditava o coração de mulher adiante do seu tempo.
Fonte: www.samba-choro.com.br
Fonte: www.geocities.com

4 comentários :

  • Wanderley Elian Lima says:
    28 de fevereiro de 2011 07:14

    Olá Lu
    é sempre bom passar por aqui, e aumentar os meus conhecimentos. Obrigado.
    Abração

  • FERNANDO says:
    28 de fevereiro de 2011 08:07

    Oi, Luizão.
    Passando para deixar um abraço e desejar ao amigo uma ótima semana.
    Parabéns pela matéria (aliás, se bem me lembro a Globo exibiu uma minissérie sobre a Chiquinha, há alguns anos).

  • Guará Matos says:
    28 de fevereiro de 2011 08:34

    Boa lembrança Lu e Simone, legal mesmo.

    Bjs.

  • Denise Guerra says:
    28 de fevereiro de 2011 20:12

    Oi Lú, adoro a obra de Chiquinha Gonzaga e sua história pioneira em nosso país! Parabéns por trazer a memória de pessoa tão especial, ela merece todos os louros! Bjs!

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