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7 de fevereiro de 2011

Carybé - Centenário

Nascimento 7 de Fevereiro de 1911 (100 anos)
Morte 2 de outubro de 1997 (86 anos)
Salvador, Bahia

Já que estamos falando de arte e artistas, vamos dar uma agitada aqui falando um pouco do nosso "baiano" argentino Carybé que se fosse vivo estaria completando 100 de vida neste dia 07 de fevereiro de 2011.
E no centenário de Carybé a Bahia preparou uma série de eventos para homenageá-lo, e nós dos blogs do Lu Cidreira também não poderia ficar de fora dessa. Apesar de Argentino de nascença Carybé era baiano de fé e coração. E como dizia o nosso Poetinha Vinícius ele era o branco mais preto entre os nossos baianos.
Lu Cidreira





Hector Julio Páride Bernabó ou Carybé (Lanús, 7 de fevereiro de 1911 — Salvador, 2 de outubro de 1997) foi um pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista, pesquisador, historiador e jornalista argentino naturalizado e radicado no Brasil.
Durante a época que morou no Rio de Janeiro, foi escoteiro. Lá, era costume cada um ser identificado por um nome de peixe e ele recebeu o apelido de de Carybé (nome de um tipo de piranha). O artista usou-o então como alcunha no lugar do seu nome de batismo, muito parecido com o do seu irmão, também pintor.
Fez cinco mil trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Ilustrou livros de Jorge Amado e Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. Era obá de Xangô, posto honorífico do candomblé. Morreu do coração durante uma sessão num terreiro de candomblé.
Uma parte da obra de Carybé se encontra no Museu Afro-Brasileiro de Salvador. São 27 painéis representando os orixás do candomblé da Bahia. Cada prancha apresenta um orixá com suas armas e animal litúrgico. Foram confeccionadas em madeira de cedro, com trabalhos de entalhe e incrustações de materiais diversos, para atender a uma encomenda do antigo Banco da Bahia S.A., atual Banco BBM S.A., que os instalou em sua agência da Avenida Sete de Setembro, no ano de 1968.



Artista multifacetado
     Também fez ilustrações de obras literárias, como Macunaíma, de Mário de Andrade, O sumiço da santa, de Jorge Amado.
     Exibiu seus trabalhos em mostras coletivas e individuais desde 1940. Entre elas, destacam-se as realizadas no Museu Municipal de Buenos Aires e nas galerias Nordiska, Amalta e Viau, na Argentina; na Galeria Oxumaré, em Salvador; no Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio; e na I Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia.
     Frequentador assíduo dos terreiros de candomblé baianos, embora dissesse não acreditar na vida após a morte, faleceu, no dia 1º de outubro de 1997, no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, depois de sofrer um enfarte. 
                                                                                                Tem branco no 
                                                                                                         terreiro
Carybé pintou o candomblé como ninguém
e partiu entre deuses de um culto na Bahia

Carybé: versatilidade formal do maior cronista visual da Bahia, para onde se mudou nos anos 50
Foto: Fernando Vivas
     Alto, elegante e magro, envolto em paletós de tweed e foulard de renda negra no pescoço, sempre que a temperatura permitia, Hector Julio Paride Bernabó era argentino de nascimento, italiano de formação, carioca quando se tornou brasileiro e cidadão do mundo com seus murais nos aeroportos de Nova York e Londres.
     Quando morreu do coração, durante uma sessão no terreiro de candomblé Ilê Axê Opô Afonjá, em Salvador, ele já era tão baiano quanto outro estrangeiro, o etnólogo francês Pierre Verger, havia sido em vida.
     Carybé, como era conhecido, tinha 86 anos, estava terminando novas telas e não podia mais subir escadas, proibido pelo seu médico. Ainda assim, insistia em continuar produzindo.
     Pintor de recursos limitados, mas um desenhista brilhante, pertence à mais depurada crônica visual da Bahia, que tanto pode ser vista nos desenhos que criou para os livros de Jorge Amado quanto na vasta galeria de tipos de deuses do candomblé.
     Amante da vida, Carybé era tocador de pandeiro, bom dançarino e contador de histórias. Acima de tudo, tinha um título de Obá de Xangô, o posto mais alto dado pelo candomblé, seu maior orgulho.
     "Sou amoroso e devoto da religiosidade afro-brasileira, de seus deuses modestos e humanos, que hoje se defrontam com estes deuses contemporâneos, terríveis e vorazes, que são a tecnologia e a ciência", ele dizia.
Casa de Exu: vendo
a religião afro-baiana
por dentro e recriando-a
de memória
Foto: Luciano Andrade
     Certamente por isso, as cenas do candomblé ocupam boa parte da vasta produção deixada por Carybé. A porção mais grandiosa de seu trabalho é justamente o desenho, a aquarela e o nanquim. De maneira nervosa e moderna, com poucos golpes de pincel, ele era capaz de resumir a forma de baianas prostradas de joelhos como magníficos círculos coloridos.
     Segundo o amigo Jorge Amado, foi como um observador de dentro, envolvido com a religião, que o artista se dispôs a retratá-la. "Outros podem reunir dados frios e secos, violentar o segredo com as máquinas fotográficas e os gravadores e fazer em torno dele maior ou menor sensacionalismo, a serviço dos racismos mais diversos, mas apenas Carybé e ninguém mais poderia preservar os valores do candomblé da Bahia."
Esboços
     Sua mulher durante cinqüenta anos, a argentina Nancy, com quem teve dois filhos, o artista plástico Ramiro e a bióloga Solange, costumava contar que o marido era um homem de tanta fé que jamais levava papel ou lápis para as cerimônias de candomblé. Achava falta de respeito. Guardava tudo de cabeça e desenvolveu uma memória visual fora do comum.
     Dono de uma obra vasta, na qual se estimam cerca de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços, Carybé trabalhou com vários materiais.
     Criou também esculturas, a vertente menos importante de sua produção, e até esboços de cenas de filmes, como as mais de 1000 que fez para a primeira versão de O Cangaceiro (1953), do diretor Lima Barreto, e ilustrações para livros. Além de Jorge Amado, emprestou seus traços a obras de Rubem Braga e Gabriel García Márquez, entre outros.
     Carybé, o nome de um mingau que adorava tanto que o adotou como nome artístico, ainda era Hector quando chegou a Salvador pela primeira vez com um projeto ambicioso: fazer uma reportagem com Lampião. Teve de se contentar em desenhar as cabeças do rei do cangaço e seus capangas, já decapitadas.
     Sua família morava no Rio e ele já tinha no currículo trabalhos em publicidade para jornais de lá, de São Paulo e de Buenos Aires, além de ter pintado muitos cartazes de rua. Já se considerava um "branco suspeito", como dizia. Ouvira dizer que na sua família (mãe gaúcha, pai italiano) havia uma tia preta que até fumava cachimbo. Sua morenização parecia uma fatalidade.
     Com uma carta do escritor Rubem Braga ao então secretário de Educação da Bahia, Anísio Teixeira, em 1950, Carybé arrumou o emprego que pediu a Deus: desenhar cenas baianas.
     "Foi a sopa no mel. Nunca mais fui embora. A Bahia tem tudo que um pintor procura, luz, água, mar aberto, a gente sempre vê o corpo humano funcionando", contou.
     No mesmo ano conheceu o marchand Valdemar Szaniecki, que mais tarde colocou suas obras numa galeria de São Paulo ao lado das de Mário Gruber, Di Cavalcanti, Aldemir Martins, Manabu Mabe e Clovis Graciano.
     Com o passar dos anos, os trabalhos de Carybé não pararam de se valorizar e ele passou a viver só de arte. "Um quadro grande meu vale 10000 dólares", orgulhava-se ele, no começo deste ano, embora alguns possam chegar a até 30000. Para ele, não tinha muita importância. "A economia é a peste negra. Nada sei sobre ela", dizia.
Falsificações
     No começo dos anos 80, diante da valorização crescente de sua obra, houve um derrame de quadros falsos atribuídos a ele em Salvador. As telas, com figuras chapadas na praia ou em casarios coloniais, eram vendidas por um quarto do preço de tabela. Com o passar do tempo, os larápios trocaram de alvo, preferindo falsificar artistas mais caros, como Di Cavalcanti e Guignard.
     No decorrer da vida, Carybé foi muito pouco premiado primeiro lugar em desenho numa bienal de São Paulo e por duas vezes sala especial em outras bienais. Gostava de pintar, mas não de ficar expondo, "emoldurar quadros, fazer catálogos, dar entrevistas, essas coisas aborrecidas".
     Para ele, a única coisa insuportável na vida era ficar parado, esperando um estalo de criatividade. "Inspiração é besteira", achava.
Fotos: Lalo de Almeida
Cabeças do filho-de-santo Abia no rito de iniciação do candomblé e figura feminina de costas: traço telegráfico 
Fonte e pesquisa: Wikipédia,  Encarta/2000,   Revista «Veja» - 08.10.97























7 comentários :

  • Reflexo d Alma says:
    7 de fevereiro de 2011 13:22

    Perdão.
    Estava sem passar por aqui e por muitos outros espaços, por pura falta de tempo para tal.
    Só passar e dizer ola, não é o que seu blog merece.
    Me enriqueço sempre, por isso venho inteira, para observar
    e absorver.
    Este post especialmente soma muito
    como artista que sou.
    Muitas informações me são novas.
    Que bom vir aqui assimilar.
    Bjins entre sonhos e delírios

  • Wanderley Elian Lima says:
    7 de fevereiro de 2011 14:02

    Oi Lu
    Isso é que eu chamo de blog cultural. Valeu pela homenagem e pela lembrança.
    Abração

  • Guará Matos says:
    7 de fevereiro de 2011 14:05

    Só qualidade, que coisa!
    Este espaço tá chique demais.
    Bjs.

  • Zil Mar says:
    7 de fevereiro de 2011 18:41

    Obrigada Lu....!

    Aqui é só aprender...e aprender sempre mais!

    bjo e boa semana!


    Zil

  • Professora Carla Fernanda says:
    7 de fevereiro de 2011 20:50

    Boa noite Lu. Encantador!!
    Carla Fernanda

  • Vampira Dea says:
    8 de fevereiro de 2011 06:20

    O argentino mais baiano que já existiu, em cada traço a essência da Bahia. Bonita homenagem, Lú

  • Sérgio Filho says:
    9 de fevereiro de 2011 06:51

    Oi Lu,
    Não conhecia, obrigado por compartilhar um pouco mais dessa figura.

    Aquele abraço!

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.