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24 de julho de 2011

Programação Educativa na TV?

Quer que seus filhos assistam a algo educativo na televisão? Então coloque o despertador para tocar por volta das 5h de sábado e domingo. É nesse horário que é exibido o que consta da programação das emissoras de TV aberta como 'programa educativo'. Mas a não ser que seus filhos sejam professores do Ensino Médio ou se interessem por discussões pedagógicas, você terá uma decepção. (..) Mesmo assim, tecnicamente, nenhum dos canais está descumprindo a Constituição, que no artigo 221 determina que emissoras de TV deem 'preferência a finalidades educativas'.(...) De fato, não há lei que determine o que é um programa educativo nem que regulamente a inclusão dessas atrações na programação das emissoras. (Croitor, 2001)
Por programa educativo entende-se aquele produzido com a intencionalidade de educar, desenvolver aprendizagens, ter finalidade educacional. Desde o Decreto n. 236/67, a finalidade educativa cobrada às emissoras de TV é a "transmissão de aulas, conferências, palestras e debates". A obrigatoriedade de emissoras comerciais transmitirem programas educativos foi instituída na Portaria n. 408/70. Nesse ano, especificou-se: 5 horas por semana, sendo 30 minutos diários de segunda-feira a sexta-feira e 75 minutos nos sábados e domingos, entre 7h e 17 horas. Para efetivar o cumprimento legal e orientar a televisão educativa, estudo oficial sobre TV educativa concluiu que a prioridade seria de programas didáticos destinados a adolescentes e adultos.
Em 1980, a Portaria n. 561 flexibilizou a exibição de programas educativos em todas as emissoras. Horários de transmissão ficam a critério da emissora, embora permaneça a distribuição semanal. No artigo 221 da Constituição Brasileira (1988), o atendimento "preferencial às finalidades educativas, culturais e informativas" é o primeiro princípio a nortear a produção e a programação das emissoras.
A exibição obrigatória de uma quota de programas educativos em TVs comerciais diminuiu drasticamente em 1991. No acordo emissoras-Abert-MEC reduziu-se a obrigatoriedade de programação educativa de 5 horas semanais para dois programas de 20 min, nos sábados e domingos. Em 2001, projeto-lei de radiodifusão do Ministério das Comunicações foi à consulta pública. No artigo 88, da versão ainda em tramitação no Congresso, emissoras devem "transmitir percentual mínimo de programas educativos e informativos dirigidos a crianças - entre 7h e 22 horas - e dispor de pedagogos e psicólogos para avaliar seus programas educativos".
Mas o que é "educativo"? A concepção predominante restringe-se à extensão da sala de aula. Polemiza-se entre "o que é educação" e "o que é televisão". Televisão como entretenimento propõe evasão, diversão, emoção. Classicamente, associa-se o educativo a livro didático, sala de aula, objetivos curriculares, concentração, racionalidade. A que interesses serve manter tão limitada concepção de educativo? Deve-se cobrar de proprietários e produtores de televisão a inclusão da finalidade educativa?
Programas pedagógico-didáticos para ensinar são rejeitados pela expectativa da TV diversão, da TV entretenimento. Correlaciona-se a intenção de educar à subordinação a uma modalidade expressiva (cinematográfica, televisiva, artística), à consequente perda da especificidade dessa modalidade, categorizando o educativo como gênero inferior, incompatível com as linguagens do cinema e da TV:
Produzir tevê diferente para uso diferenciado, pedagógico, parece-nos uma proposta equivocada, embora tecnologicamente possível. Preferimos partir da tevê comercial e da escola que temos, pois acreditamos que educar-se pressupõe íntima relação do ser humano com sua realidade. Só dessa relação matricial podem surgir as condições de afloramento da consciência crítica. Assegurar a coerência entre a realidade contextual e a educação exclui o artificialismo de situações pedagógicas especialmente produzidas. (Rezende, l989)
Reduz-se a conceituação do pedagógico ao que programas educativos de TV adotam como pedagógico. Critica-se o educativo em TV/vídeo pela sua redução a veículo de discurso professoral e à não-exploração do expressivo. Sobressai a concepção mecânica de relação comunicativa professor-aluno.
“As raízes para a resistência à não-utilização do potencial visual e narrativo da televisão nos programas instrucionais de TV, estiveram na resistência da educação às emoções.” (Cassirer,1961). Dentro do processo educacional dito racional, emoções desequilibram e perturbam, ainda que nelas se reconheça estímulo essencial à educação. Cabe abrir a educação às dimensões do imaginário, do cultural, do afetivo, e entender ensino-aprendizagem como diálogo, interação, construção de conhecimentos, ampliação da concepção de educativo e mediações pedagógicas.
Ao se entender educar como (in)formação numa perspectiva mais ampla que inclui dimensões do imaginário, do social, do emocional além da cognitiva, nota-se que existem programas de entretenimento produzidos com intenção de entreter, vender e educar. Isso se deve à existência de jornalistas, autores, editores, atores, produtores e apresentadores de TV que se comprometem com a educação, compreendida como divulgar, esclarecer, inserir e discutir idéias e temas relevantes.
Em casos diversos, o sucesso da interpenetração ficção-realidade na telenovela brasileira cria entretenimentos educativos. Não se trata de adicionar falas e críticas sobre problemas desligados da trama, que podem levar a um vazio. Exige-se trabalho criativo, tenso, sob riscos. O autor entra em conflito com normas ou compromissos ficcionais ou socioeducativos, arriscando até mesmo uma obra dramática exitosa.
O caráter educativo de um programa de televisão pode-se determinar a partir do que com ele se apreende na recepção. Vilches (1993) cita pesquisa que revela que o acesso da criança à ideia do que vai receber é precondição para se desenvolverem atividades mentais frente a isto. Programas não precisam ser especificamente educativos para a criança participar, trabalhar. Importa-lhes a ação conjunta com os pais e os educadores.
Eis o valor da mediação. Na escola, em programas televisivos não originariamente produzidos para ensinar, introduzir-lhes intenções pedagógicas depende do professor. Regra geral, o educador determina as funções dos programas de TV/vídeo nas atividades escolares. Pode-se usá-los para ilustrar, motivar, informar suscitar debates. Delineia-se aqui, uma outra estratégia complementar: tomá-los como objeto de estudo. Dessa perspectiva, TV, filmes, vídeos são objetos de estudo das condições de produção e de recepção de gêneros e linguagens televisuais.
Fonte: www.artigos.br

3 comentários :

  • Lindalva says:
    24 de julho de 2011 14:14

    Olá querido Lu - saudades. Excelente postagem. Olha hoje é Domingo dia mundial da preguiça, porisso me desculpe, pois parte do meu coment será no copia e cola. Então primeiramente quero dizer que meu blog principal foi e sempre será minha Ilha e aos poucos fui criando Ilhotas, uma delas o Ostra da Poesia, ele era como uma estação do ano, abria as portas quando do evento Pena de Ouro, após o 5º Pena, que terminou a pouco senti que não poderia mais fazer o Ostra hibernar até o próximo evento, assim, para ele dá apenas uns cochilinhos, semanalmente (nos FDS) vou postar uma poesia de um blog amigo, seguidor, ou que por ai nas ondas me encante, inclusive criei um selo pelo momento... espero que você continue visitando o Ostra e agora não precisa votar, só apreciar a poesia do (a) amigo (a) blogueiro (a). Desejo-te um domingo com poesia e festa, luz e sorriso. ♥☆Jinhosssssssssssssss♥☆

  • José María Souza Costa says:
    24 de julho de 2011 20:11

    Eu sempre entendi que existem bons programas na televisão. Depende com quem está o Controle Remoto. eu, particularmente sou apaixonado mesmo é por Rádio.
    Muito boa, a chamada para reflexão.
    Abraços

  • Geyme Lechner says:
    25 de julho de 2011 08:45

    Grande Lu!!!! Essa chamada é valiosíssima!!! Eu nao tenho tv a cabo aqui para prestigiar a programcao brasileira, e quando estava por aí, poucos foram os alertas pedagógicos e educativos que vi. Tal qual como aqui, parece-me que as tvs colocam esse tipo de programa bem cedo (ás 5) quando o povo ainda está adormecido, e tudo que lhes resta é assistir a novela e a violencia do mundo nos jornais em horário nobre. Faco o apelo para que a Tv coloque a novela as 5 da manha e passem os programas educativos para o horário nobre, seria demais, nao?? mas será que eles perderiam audiencia? ou com o tempo, o horário nobre passaria a ser às 5 da matina??? Ficou-me a dúvida....

    Beijao grande pra vc e boa semana, amigo!!!!

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.