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1 de agosto de 2011

A ESCOLA PROFANA



Um dia lindo, calmo, céu azul, sem nuvens. Tudo tranquilo. O mundo parece seguir seu almejado destino de paz.
De repente, a notícia, que a todos aterroriza, revolta, choca: rapazes, de classe média, entram na escola em que estudavam - armados até os dentes - e atiram, matam, ferem... sem dó nem piedade. Nos EUA ou no Brasil, em qualquer lugar, corações se afligem. Nos noticiários angustiantes, atos semelhantes começam, dia após dia, a se suceder. Subitamente todos, - pais, educadores, juristas, psicólogos, sociólogos, leigos, cidadãos comuns - se interrogam: De quem é a culpa? De onde surge tanta crueldade, tanta insanidade? E será somente crueldade? Ou insanidade? Acaloradas discussões.
Partidos se formam a favor e contra tais ou quais teses. Todos porém, perplexos, anseiam por explicações . A escola, através dos tempos, sempre foi lugar seguro para nossos filhos. O local do saber, da cultura, da educação, foi profanado. Sofremos todos. Onde, afinal, a segurança? Nos lares, não mais (tantos assaltos e crimes ocorrem no reduto dos mais bem defendidos apartamentos), nos condomínios também não (e as gangues?), nas ruas nem pensar. Seja noite, seja dia... e agora, parece que perdemos o último baluarte de segurança e paz.
Apontar culpados ou denunciar causas é tarefa complexa, talvez até pretensiosa. Algumas pistas podem ser, porém, levantadas com certa margem de segurança. É preciso, no entanto, ter consciência de que certamente não há uma causa, mas um conjunto de fatores que oportunizam a eclosão destes acontecimentos revoltantes, que aviltam a todos nós, a toda a espécie humana.
Estes fatores podem ser divididos em dois grupos - sociais e individuais.
Dentre as causas sociais, podemos destacar, sem medo de errar, o consumismo exacerbado, a competitividade, o individualismo, a má distribuição de renda, a crise ética, a impunidade e a corrupção, o fácil acesso da população a armas, o crescente desemprego, o seriíssimo problema das drogas - só para citar alguns.
Com esses ingredientes, a cada dia, nossa sociedade torna-se mais e mais violenta. Mas não são apenas os assaltos, estupros e assassinatos que acontecem diariamente e são exaustivamente divulgados pela mídia, que preocupam. Outra forma de violência, poucas vezes percebida pela maioria, é transmitida subliminarmente. Desde programas humorísticos, nos quais o riso é provocado humilhando-se o mais fraco, o negro, o homossexual, o pobre ou o portador de deficiências físicas, até desenhos animados tipo Beavis and Butthead, onde a agressão e a falta de amor ao próximo são a tônica. Estas mensagens repetidas exaustivamente, aliadas aos noticiários sensacionalistas, em que guerra, sofrimento e morte são focalizadas com detalhes terríveis, somadas ao hiper-realismo da cinematografia de hoje - tudo isso junto - pode produzir nas crianças e jovens em formação ( expectadores que são de horas e horas de violência desde os mais tenros anos) uma gradual perda da sensibilidade e da capacidade de se indignar, fundamental para o desenvolvimento da empatia e da solidariedade. É como se elas fossem "se acostumando" com a crueldade, a truculência, a miséria humana, a degradação. E esta situação é por elas percebida como se fosse incontornável, imutável.
A essa dessensibilização produzida pela exposição violência, junte-se uma sociedade que estimula o individualismo e a competição, na qual a má distribuição da renda impera e, especialmente, a grave crise ética que assistimos hoje, derivada da impunidade e da corrupção que permeia todos os níveis das instituições sociais, e poderemos começar a compreender melhor o que leva tantos jovens à marginalização, desesperança, às drogas e a atos criminosos. A criança cresce consumista, individualista, insensível, assistindo diariamente a graves denúncias - raramente punidas com o rigor necessário -, que alimentam a desesperança nas instituições sociais, e, o mais grave, acreditando que o mundo tem que ser assim mesmo. O que certamente fortalece a crise ética e a descrença nos valores humanos.
Por outro lado, os aspectos individuais entram nesse panorama da seguinte forma (evidentemente, explicando de maneira simplista): cada pessoa tem, desde o nascimento, um diferente nível de agressividade, e uma forma, também diversa, de interiorizar os fatos que ocorrem a sua volta, tendo algumas um equipamento de percepção mais positivo enquanto outras, interiorizam os eventos de maneira quase sempre negativa. Quer dizer, uma criança pode decodificar uma palavra mais severa que lhe é dirigida (a simples correção de uma atitude que a mãe ou um professor lhe dirija, por exemplo) como falta de amor; outra, na mesma situação, porém com uma percepção mais positiva, poderá interpretá-la como preocupação e afeto. Uma pessoa que, além de já ser naturalmente agressiva, possui uma percepção negativa dos fenômenos que ocorrem a sua volta e que, além do mais, cresce no seio de uma família desatenta, desestruturada e desarmônica, poderá, em determinadas circunstâncias desenvolver um comportamento socialmente patológico. São esses fatores, entre outros, que irão influenciar na constituição da auto-estima mais ou menos elevada, gerando cidadãos mais ou menos equilibrados emocionalmente.
Além disso, para nossa consternação, algumas modernos estudos dentro da Psiquiatria vem conduzindo à idéia de que existem pessoas que trazem, dentro de si - inato -, o germe da violência (pobre Rousseau...). Se, aliada a esta característica pessoal (caso ela realmente exista) juntarmos os fatores sociais e familiares, acima descritos, compreenderemos por que surgem, em dadas circunstâncias, indivíduos que, em maior ou menor grau, com maior ou menor planejamento, a partir de um evento qualquer, desencadeiam agressões ao outro.
Nesse contexto, a escola, torna-se apenas o local onde se reflete, como em qualquer outro lugar, o que a sociedade propiciou ocasionar. Uma sociedade violenta - que incentiva na sua base ideológica o preconceito, o predomínio dos bens materiais sobre os valores éticos, corrupta, e que deixa impune seus maiores transgressores -, agindo sobre um indivíduo potencialmente violento e que se sinta de alguma forma preterido ou mal-amado, tem todos os ingredientes necessários para, em um determinado momento, desencadear a barbárie.
Não se pode esperar que nenhuma instituição, seja a escola ou outra qualquer, esteja a salvo da contaminação por tudo que ocorre no contexto mais amplo, a sociedade. Procurar "culpados" dentro da escola é uma forma simplista e altamente confortável de explicar uma situação tão complexa, onde tantos interesses estão em jogo, e, desta forma, acalmar os ânimos. Culpando a escola, a metodologia de ensino, os professores mal preparados, os currículos anacrônicos - ou tudo isto -, acalma-se a consciência e a ansiedade de muitos. E tudo fica como está.
Ou mudamos os elementos básicos que alicerçam a sociedade atual e que propiciam o surgimento de uma situação de violência latente, que a qualquer momento pode eclodir, voltando-nos para os valores que verdadeiramente dão humanidade ao homem - empatia, solidariedade, justiça, honestidade, honra, cooperação, respeito ao outro - ou continuaremos a assistir, assombrados, a atos de vandalismo, agressões e loucura cada vez maiores.
Por: Tânia Zagury
Fonte: www.redepitagoras.com.br

7 comentários :

  • Wanderley Elian Lima says:
    1 de agosto de 2011 10:47

    Oi Lu
    O problema é que não Brasil, as autoridades vivem justificando a agressividade como consequência de traumas ou condição social. Dessa forma as coisas só tendem a piorar, já que está provado que a falta de limite e de punição, são os maiores responsáveis por essas tragédias.
    Voltei.
    Grande abraço

  • Anônimo says:
    1 de agosto de 2011 17:30

    Um bom artigo

  • Carla Fernanda says:
    1 de agosto de 2011 23:10

    A escola é que sofre cada vez mais com o acúmulo de ter que educar as crianças que não recebem ultimamente nenhuma educação em casa. Os pais delegaram tudo para a escola e isso é uma tarefa impossível...se os filhos não respeitam mais nem os pais, e a maioria nem pais tem para cuidar delas, pois as famílias encontram-se esfaceladas....vão respeitar quem??????
    Beijos,
    Carla

  • Denise Guerra says:
    1 de agosto de 2011 23:13

    Oi Lú, perderam-se os valores de todo tipo e infelizmente a família tem se mostrado uma instituição falida, quem sofre com isso é a sociedade em geral. Li outro dia que vivem querendo deixar um planeta melhor para os filhos porém, não se pensa em deixar filhos melhores para o planeta. Certamente um filho bem educado cuidará do planeta e do seu semelhante!!! Bjs!

  • Anne Lieri says:
    2 de agosto de 2011 15:15

    Luciano,um excelente artigo!Culpar a escola é sempre mais facil(a corda sempre arrebenta do lado mais fraco),mas realmente a causa dessa violencia tem diversos fatores somados!Gostei muito!Bjs,

  • Geyme Lechner says:
    3 de agosto de 2011 08:26

    É Lu, triste, mas verídico, real e revoltante... Culpar é fácil, é a mesma coisa que apertar o gatilho sem olhar pra quem, responsabilizar a escola me parece o caminho mais simples... Mas o mundo perdeu valores, estamos de pernas pro ar, há violencia em todos os lugares e lares, e isso comeca desde os desenhos animados, brinquedos e vai até (e principalmente) aos jogos de PC.... A bandidagem virou Top, está na moda junto com ela a revolta e o preconceito... por que antigamente sem toda essa tecnologia e modernidade, esses tipos de crimes nao figuravam nas estatísticas???

    Haveríamos de repensar num todo como TODO!!!
    Excelente texto da Tania, amigo!

    Beijao proce!!!

  • Paulo Braccini - Bratz says:
    3 de agosto de 2011 19:37

    uma brilhante contextualização ... as coisas começam erradas na família ... sou do tempo em que educação era dada em casa e a escola formava ... tudo em perfeita sintonia ... hoje os pais são os primeiros a se omitirem e ainda se posicionam contra as escolas qdo ela tenta exercer o papel q deveria ser deles ... uma vergonha ... depois não adianta reclamar ...

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.