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20 de abril de 2012

Viver com hepatite


                  Tipos de Hepatites:  A   -   B   -   C   -   D  -  E  -  G

O fígado é um dos mais importantes órgãos do corpo humano e quando está lesionado perturba todo o funcionamento do organismo, contudo, os doentes com hepatite crónica podem usufruir de uma vida muito próxima do normal. Desde que tenham em conta algumas regras essenciais, estes doentes não têm de ficar presos a uma vida de dietas rígidas, de pôr de lado projectos de viagens e passeios ou de dizer não a um relacionamento sexual, mas é imprescindível que cada um conheça as suas limitações e adopte comportamentos que não agridam o fígado.
É aconselhável falar com o seu médico sobre os hábitos alimentares mais adequados bem como quanto ao uso regular ou esporádico de medicamentos para tratamento de outras patologias. Pode ainda aconselhar-se relativamente à realização de algumas actividades físicas e desportivas e a outros aspectos do dia-a-dia. Após esta conversa estará seguramente mais capaz de "julgar" alguns mitos da sabedoria popular que proíbem um sem número de alimentos e de actividades aos doentes hepáticos.

Como se alimentar

Não é preciso seguir quaisquer regimes especiais, nem é conveniente afastar certos tipos de alimentos, sob pena de desequilibrar o organismo, deixando-o com carências proteicas e vitamínicas, e aumentando a sensação de cansaço. Há casos, no entanto, em que pode ser necessário ter cuidados adicionais, portanto, é sempre útil aconselhar-se com o médico.
O ideal é seguir uma dieta equilibrada que contemple todos os componentes da pirâmide alimentar. Não é necessário, por exemplo, eliminar as gorduras, mas podem evitar-se os fritos e substituir as gorduras animais por óleo de girassol, soja ou azeite. E registe-se também que não existem chás ou águas minerais com poderes milagrosos sobre o fígado.
Os doentes podem tomar café, mas o consumo de álcool está desaconselhado (e está proibido durante a fase de tratamento com interferão), já que pode favorecer a replicação do vírus e aumentar os riscos de cirrose e cancro no fígado.

Como se movimentar

A hepatite é geralmente acompanhada por uma grande dose de fadiga, mas os doentes crónicos não devem obedecer a este capricho do corpo. Para lutar contra o cansaço, aplicam-se os mesmos conselhos que aos demais: é necessário fazer uma alimentação equilibrada, beber água regularmente, dormir bem e preencher o quotidiano e os tempos livres com actividades e projectos estimulantes.
Se nos casos de hepatite aguda o repouso é recomendado, nas hepatites crónicas aconselha-se aos doentes a prática de algum exercício físico. Além de aumentar o afluxo sanguíneo ao fígado, o exercício tem ainda a vantagem de estimular a produção de colesterol HDL (o bom) e de eliminar os excessos de colesterol LDL (o mau). Para desportos radicais ou mais violentos, é melhor ouvir o conselho do médico.

Como viajar

Nos casos de hepatite aguda, o melhor é deixar as viagens para mais tarde, já que o seu tratamento exige muito repouso, mas ter hepatite crónica não significa ficar em casa e desistir de passeios que ambicionou fazer. As viagens são possíveis e também aqui se aplica o mesmo princípio de necessidade de equilíbrio e bom senso, de controlo e de atenção aos elementos que possam prejudicar o fígado.
Ao longo das viagens, sobretudo se se tratam de países em desenvolvimento, com clima quente e condições de saneamento básico duvidosas, deve-se evitar beber água e gelo de origem desconhecida, ter-se atenção à preparação das refeições e não ingerir alimentos que possam ter sido mal lavados ou mal cozinhados, já que estes podem favorecer a propagação do vírus das hepatites A e E . Os especialistas aconselham, também, a vacinação contra as hepatites A e B, principalmente, quando se viaja para zonas endémicas e se nunca se teve contacto com os vírus que as provocam.
Desde que se tomem estes cuidados, todo e qualquer país do planeta está ao alcance dos doentes de hepatite.

Como gerir a vida sexual

Não existem impedimentos para um doente crónico ter uma vida sexual activa, mas devem ser tomados cuidados para não contaminar o parceiro, com destaque para o uso do preservativo que previne também outras doenças sexualmente transmissíveis. Os contraceptivos orais não estão contra-indicados para os doentes com hepatite crónica vírica.
Nos casos das hepatites B e D, os parceiros sexuais devem receber a vacina contra a B. Em relação à hepatite C, embora o risco de contágio seja diminuto, é aconselhável usar o preservativo durante o período menstrual. O mesmo se passa com os portadores do vírus da hepatite G, embora não esteja provado que este vírus possa ser transmitido por via sexual. No que respeita à hepatite A, os casos de contágio sexual são raros, na hepatite E não estão provados, mas deve evitar-se o sexo oro-retal.
Por vezes, a insuficiência hepatocelular pode originar impotência e esterilidade. Nos casos de cirrose em que se verifica esta insuficiência , os homens podem sofrer hipertrofia das mamas, diminuição dos testículos ou perda dos pelos púbicos e as mulheres podem deixar de ter menstruação.

Gravidez

A descoberta de hepatite durante a gravidez implica, tal como nos restantes casos, o seu tratamento. Deve verificar-se que o processo de cura teve efeito e que a doença não passou a estado crónico. Os riscos para o feto são, em geral, limitados, porque a maioria dos vírus da hepatite não atravessa a barreira placentária, e não existem riscos de malformações nem de parto prematuro. Mas há excepções. Sem que se saiba bem porquê, o vírus da hepatite E quando contraído pela mãe, durante o terceiro trimestre de gestação, pode provocar hepatite fulminante e é responsável por uma taxa de mortalidade de 20 por cento.
Quando a mãe é portadora do vírus da hepatite B, a criança é vacinada à nascença, podendo depois ser alimentada com o leite materno. Nos casos de hepatite C e G crónicas, não são conhecidos riscos no aleitamento, até agora, excepto se existirem cortes ou feridas nos mamilos e na boca do bebé.
Em estado avançado da doença, a possibilidade de engravidar é rara, mas possível.

Como conviver

Quando um dos elementos da família tem hepatite do tipo A ou E, os membros da família devem ter cuidados de higiene redobrados, não compartilhar loiça e talheres com o doente, desinfectar os sanitários com lixívia e lavar sempre as mãos depois de contactar com a pessoa infectada ou com os seus objectos. Nos casos de hepatite B aguda, raramente é necessário tomar qualquer medida em relação ao agregado familiar.
Nos casos de hepatite B crónica, o parceiro sexual deve ser vacinado e no caso do portador ser uma criança os irmãos devem tomar a vacina. O mesmo acontece para a hepatite D. Estando toda a família vacinada, não é necessário tomar outras precauções.
Em relação às hepatites C e G, não se deve partilhar objectos que estiveram em contacto com sangue do doente. Na hepatite auto-imune não são necessárias quaisquer precauções no convívio com os doentes.

Tratamentos

Os tratamentos com interferão, aplicados aos casos de hepatite B, C e D têm diversos efeitos secundários para os quais os doentes devem estar preparados. A medicação é feita através de injecções subcutâneas que podem ser ministradas pelo próprio, desde que respeitando as regras de higiene. Os primeiros dias de terapia podem ser os mais complicados, o doente é acometido por sintomas semelhantes ao de uma forte gripe, com arrepios, febre, dores de cabeça e cansaço, que tendem a desaparecer ao fim de duas semanas.
É preciso ter em atenção que o tratamento pode causar irritabilidade, nervosismo e ansiedade, existindo casos de depressão em dois a três por cento dos doentes. É também possível a ocorrência de náuseas, diarreias, perda de peso, queda de cabelo, secura da pele, erupções cutâneas e baixa de glóbulos brancos ou das plaquetas sanguíneas, e, em cinco por cento dos casos, podem verificar-se complicações na tiróide.
Na fase de tratamento, os doentes podem ter uma vida normal, mas o álcool está totalmente interdito e as mulheres devem utilizar contraceptivos eficazes porque a gravidez está contra-indicada, durante e até seis meses após a suspensão do tratamento, principalmente se este incluir a Ribavirina.

Transplante

Depois de um transplante, segundo os especialistas, é possível ter uma vida quase normal, em todos os aspectos. É preciso, no entanto, manter uma vigilância médica regular, já que existe o perigo de rejeição do órgão e de reinfecção.
Fonte: www.roche.pt

5 comentários :

  • Marcos Mariano says:
    20 de abril de 2012 19:34

    Olá Lu, foi bem esclarecedor este assunto, e preocupante ao mesmo tempo, já que é uma doença silenciosa, na minha opinião essas são as piores. Graças a Deus nunca sofri, nem conheço alguém que sofra desse mal, mas informação é sempre importante, principalmente no que diz respeito a saúde, é bom vir aqui e sempre me informar sobre assuntos tão importantes, parabéns pelo belo trabalho.

    abraços

  • Aleatoriamente says:
    20 de abril de 2012 20:52

    È Lu temos que ter bastante cuidados, porque a Hepatite em todas as suas formas é muito delicada.

    Amei o texto amigo.
    Beijo

  • Anne Lieri says:
    21 de abril de 2012 11:34

    Lu,deve ser muito dificil conviver com essa doença e muitos nem sabem que tem!Ótimas informações!bjs e bom sábado!

  • Tunin says:
    22 de abril de 2012 12:09

    Todo cuidado é pouco no cuidado da saúde. Beleza de esclarecimento.
    Abração.

  • Mary says:
    22 de abril de 2012 19:35

    Não é fácil, tenho uma amiga que tem esse problema, as vezes esta tão tristinha.
    bjs

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