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26 de janeiro de 2013

Vandalismo ou defeito da sociedade?

Um dia lindo, calmo, céu azul, sem nuvens. Tudo tranqüilo. O mundo parece seguir seu almejado destino de paz.
De repente, a notícia, que a todos aterroriza, revolta, choca: rapazes, de classe média, entram na escola em que estudavam - armados até os dentes - e atiram, matam, ferem... sem dó nem piedade. Nos EUA ou no Brasil, em qualquer lugar, corações se afligem. Nos noticiários angustiantes, atos semelhantes começam, dia após dia, a se suceder. Subitamente todos, - pais, educadores, juristas, psicólogos, sociólogos, leigos, cidadãos comuns - se interrogam: De quem é a culpa? De onde surge tanta crueldade, tanta insanidade? E será somente crueldade? Ou insanidade? Acaloradas discussões.
Partidos se formam a favor e contra tais ou quais teses. Todos porém, perplexos, anseiam por explicações . A escola, através dos tempos, sempre foi lugar seguro para nossos filhos. O local do saber, da cultura, da educação, foi profanado. Sofremos todos. Onde, afinal, a segurança? Nos lares, não mais (tantos assaltos e crimes ocorrem no reduto dos mais bem defendidos apartamentos), nos condomínios também não (e as gangues?), nas ruas nem pensar. Seja noite, seja dia... e agora, parece que perdemos o último baluarte de segurança e paz.
Apontar culpados ou denunciar causas é tarefa complexa, talvez até pretensiosa. Algumas pistas podem ser, porém, levantadas com certa margem de segurança. É preciso, no entanto, ter consciência de que certamente não há uma causa, mas um conjunto de fatores que oportunizam a eclosão destes acontecimentos revoltantes, que aviltam a todos nós, a toda a espécie humana.
Estes fatores podem ser divididos em dois grupos - sociais e individuais.
Dentre as causas sociais, podemos destacar, sem medo de errar, o consumismo exacerbado, a competitividade, o individualismo, a má distribuição de renda, a crise ética, a impunidade e a corrupção, o fácil acesso da população a armas, o crescente desemprego, o seriíssimo problema das drogas - só para citar alguns.
Com esses ingredientes, a cada dia, nossa sociedade torna-se mais e mais violenta. Mas não são apenas os assaltos, estupros e assassinatos que acontecem diariamente e são exaustivamente divulgados pela mídia, que preocupam. Outra forma de violência, poucas vezes percebida pela maioria, é transmitida subliminarmente. Desde programas humorísticos, nos quais o riso é provocado humilhando-se o mais fraco, o negro, o homossexual, o pobre ou o portador de deficiências físicas, até desenhos animados tipo Beavis and Butthead, onde a agressão e a falta de amor ao próximo são a tônica. Estas mensagens repetidas exaustivamente, aliadas aos noticiários sensacionalistas, em que guerra, sofrimento e morte são focalizadas com detalhes terríveis, somadas ao hiper-realismo da cinematografia de hoje - tudo isso junto - pode produzir nas crianças e jovens em formação ( expectadores que são de horas e horas de violência desde os mais tenros anos) uma gradual perda da sensibilidade e da capacidade de se indignar, fundamental para o desenvolvimento da empatia e da solidariedade. É como se elas fossem "se acostumando" com a crueldade, a truculência, a miséria humana, a degradação. E esta situação é por elas percebida como se fosse incontornável, imutável.
A essa desenssibilização produzida pela exposição violência, junte-se uma sociedade que estimula o individualismo e a competição, na qual a má distribuição da renda impera e, especialmente, a grave crise ética que assistimos hoje, derivada da impunidade e da corrupção que permeia todos os níveis das instituições sociais, e poderemos começar a compreender melhor o que leva tantos jovens à marginalização, desesperança, às drogas e a atos criminosos. A criança cresce consumista, individualista, insensível, assistindo diariamente a graves denúncias - raramente punidas com o rigor necessário -, que alimentam a desesperança nas instituições sociais, e, o mais grave, acreditando que o mundo tem que ser assim mesmo. O que certamente fortalece a crise ética e a descrença nos valores humanos.
Por outro lado, os aspectos individuais entram nesse panorama da seguinte forma (evidentemente, explicando de maneira simplista): cada pessoa tem, desde o nascimento, um diferente nível de agressividade, e uma forma, também diversa, de interiorizar os fatos que ocorrem a sua volta, tendo algumas um equipamento de percepção mais positivo enquanto outras, interiorizam os eventos de maneira quase sempre negativa. Quer dizer, uma criança pode decodificar uma palavra mais severa que lhe é dirigida (a simples correção de uma atitude que a mãe ou um professor lhe dirija, por exemplo) como falta de amor; outra, na mesma situação, porém com uma percepção mais positiva, poderá interpretá-la como preocupação e afeto. Uma pessoa que, além de já ser naturalmente agressiva, possui uma percepção negativa dos fenômenos que ocorrem a sua volta e que, além do mais, cresce no seio de uma família desatenta, desestruturada e desarmônica, poderá, em determinadas circunstâncias desenvolver um comportamento socialmente patológico. São esses fatores, entre outros, que irão influenciar na constituição da auto-estima mais ou menos elevada, gerando cidadãos mais ou menos equilibrados emocionalmente.
Além disso, para nossa consternação, algumas modernos estudos dentro da Psiquiatria vem conduzindo à idéia de que existem pessoas que trazem, dentro de si - inato -, o germe da violência (pobre Rousseau...). Se, aliada a esta característica pessoal (caso ela realmente exista) juntarmos os fatores sociais e familiares, acima descritos, compreenderemos por que surgem, em dadas circunstâncias, indivíduos que, em maior ou menor grau, com maior ou menor planejamento, a partir de um evento qualquer, desencadeiam agressões ao outro.
Nesse contexto, a escola, torna-se apenas o local onde se reflete, como em qualquer outro lugar, o que a sociedade propiciou ocasionar. Uma sociedade violenta - que incentiva na sua base ideológica o preconceito, o predomínio dos bens materiais sobre os valores éticos, corrupta, e que deixa impune seus maiores transgressores -, agindo sobre um indivíduo potencialmente violento e que se sinta de alguma forma preterido ou mal-amado, tem todos os ingredientes necessários para, em um determinado momento, desencadear a barbárie.
Não se pode esperar que nenhuma instituição, seja a escola ou outra qualquer, esteja a salvo da contaminação por tudo que ocorre no contexto mais amplo, a sociedade. Procurar "culpados" dentro da escola é uma forma simplista e altamente confortável de explicar uma situação tão complexa, onde tantos interesses estão em jogo, e, desta forma, acalmar os ânimos. Culpando a escola, a metodologia de ensino, os professores mal preparados, os currículos anacrônicos - ou tudo isto -, acalma-se a consciência e a ansiedade de muitos. E tudo fica como está.
Ou mudamos os elementos básicos que alicerçam a sociedade atual e que propiciam o surgimento de uma situação de violência latente, que a qualquer momento pode eclodir, voltando-nos para os valores que verdadeiramente dão humanidade ao homem - empatia, solidariedade, justiça, honestidade, honra, cooperação, respeito ao outro - ou continuaremos a assistir, assombrados, a atos de vandalismo, agressões e loucura cada vez maiores.
Tânia Zagury
Fonte: www.redepitagoras.com.br

Repostando em tempos de férias.

18 comentários :

  • José María Souza Costa says:
    27 de janeiro de 2011 07:26

    Bom dia.
    Estou a dias querendo seguir um dos seus blogues,mas não sei por qual tens preferencia.
    Estou aguardando uma resposta sua. Indique-me qual deles, posso seguir.
    Abraços e fique com DEUS

  • Sérgio Filho says:
    27 de janeiro de 2011 09:11

    Estou produzindo um roteiro sobre o assunto, tenho as minhas teorias a respeito disso. São muitos fatores a serem levados em conta, o jogo é ação e reação, isso pode explicar muita coisa.

    Aquele abraço!

  • Guará Matos says:
    27 de janeiro de 2011 09:33

    Defeito de educação e relacionamento em família.
    Falta amor, falta, orientação, falta reprimenda, falta pais.

    Bjs.

  • Mariana says:
    27 de janeiro de 2011 10:10

    A educaçõa começa em casa, com a família, se não houver as consequências serão para td a sociedade.

  • Lindalva says:
    27 de janeiro de 2011 10:20

    Bom dia Lu. Concordo em gênero, número e grau em tuas colocações, algo tem que feito e mudado, na verdade reconstruído. Um beijo meu querido e aparece na Ilha porque hj tem aniversário e amanhã happy hour... Vixeeeeeeee estou com a corda toda esta semana (risos)

  • Luis Nantes® says:
    27 de janeiro de 2011 10:26

    Sem sacanagem? Os dois... Valeu!!

  • Denise Guerra says:
    27 de janeiro de 2011 10:32

    Oi Lú, os princípios éticos, morais e sensitivos estão em baixa. Além de tudo isso que vc contou, coisas tão impressionantes do vandalismo tem acontecido aqui debaixo dos nossos narizes: no sul pessoas estão atacando moças lésbicas com estupros e muita violência no sentido de corrigirem seus "defeitos sexuais", em Friburgo tem gente desumana tratando os atingidos das enchentes como bichos, no orkut tem pessoas muito doentes expressando seu racismo aos negros de uma forma inóspita e nojenta! Só Deus todo poderoso poderá nos salvar de tantas doenças do coração! Bjs!

  • Blog da Fofa says:
    27 de janeiro de 2011 10:58

    Não tem nada mais triste mais vergonhoso do que a violência, não só a física como a moral. Sou a favor do Amor e da estrtura familiar. Acho que píncípios começam em casa. Grande texto Perfeito. Um grande bjo meu amigo

  • José María Souza Costa says:
    27 de janeiro de 2011 15:19

    "Tamo" muito humilde na fila de seguidores.
    Abraços e fique com DEUS

  • Bruno JP Teixeira says:
    28 de janeiro de 2011 17:21

    Fiz um post citando seu blog
    Não deiza de conferir.

    Abrçs.
    Bruno JP Teixeira - O Portuga
    http://brunojpteixeira.blogspot.com/

  • Maria Helena says:
    28 de janeiro de 2011 18:16

    Oi, Lu!
    Postagem bastante oportuna para o momento crítico que vivemos. A violência está, para muitos, na ordem do dia. A base familiar passa por sérias crises, com exceções, e se desintegra cada vez mais.
    Seu post é um grito de alerta para todos nós! Parabéns!
    Obrigada mais uma vez pelo selo!
    Um abraço!

  • Néia says:
    28 de janeiro de 2011 18:21

    Oi Lu Cidreira...
    Vejo sempre seus comentários no blog da Fofa e em outros, assim me deu uma vontade de conhecê-lo e confesso adorei o seu blog, cheio de informações, novidades e dicas básicas. Hoje li algumas, mas gostei muito da matéria do fhotoshop nas imagens.Eu fiz jornalismo, embora nunca tenha trabalhado na área, mas sou do tempo em que a película passava pelo banho de revelação e fixação com uns produtos químicos de cheiro horroroso. Nem sei como é feito hoje...
    Mas vendo seu texto fico a imaginar que diante de tanta tecnologia,acreditar em que e em quem, se a um simples clic tudo se modifica.
    Adorei seu blog e voltarei com mais tempo.
    Beijos Néia

  • Marcelly Rosa says:
    28 de janeiro de 2011 21:42

    Otimo post

    Adorei seu blog...

    estou seguindo,
    Me segue tbm


    M.R ♥
    http://marcellyrosa.blogspot.com

  • Tia Bláblá says:
    29 de janeiro de 2011 08:10

    Olá meu querido amigo Lú...A meus olhos acredito que talvez pessoas que agem dessa forma não são tão lúcidas assim, mais acredito que são 97% mesmo é cruéis...infelizmente o ser humano tem o péssimo hábito de se achar superior a tudo e a todos, e quando se encontra armado então...sai da frente né?! Exemplo disso vc já deve ter visto nos noticiários, quando são pegos choram como bbs pois não estão mais armados...ótimo post, parabéns.
    Um grande abraço, ótimo fds.

  • Lindalva says:
    29 de janeiro de 2011 22:34

    Boa noite amigo Lu, o pior é que não veremos esta mudança, precisará de mudanças no alicerce e este está podre. Olha vim te deixar um convite http://i1205.photobucket.com/albums/bb421/lindalva_martins/CONVITE1ANO.jpgte espero na Ilha. beijos poéticos em teu coração e que teu domingo seja junto aos teus com harmonia e sorrisos!

  • Cidadão Araçatuba says:
    30 de janeiro de 2011 15:23

    Essa onda de violência ao meu ver vem da liberdade e da falta de limites dos filhos.
    Hoje em dia em função do trabalho, os pais não dedicam o tempo necessário a educar os filhos.
    Pensa-se em ganhar dinheiro,trocar o carro/casa, dar presentes caros e mantê-los em numa boa escola, mas a pergunta é:
    -O que eles pensam? Como estão vendo a liberdade que ganharam muitas vezes sem merecer, todo esse conforto?
    Esse esforço tem sentido? As vezes os pais vezes nem conhecem direito quem eles geraram!
    Outros porém, até entendo que tem distúrbios mentais, problemas psíquicos diversos. A sociedade e principalmente a família precisam rever certos conceitos urgente!
    Parabéns pelo post!

  • Paulo Braccini says:
    1 de fevereiro de 2011 13:41

    "Defeito de educação e relacionamento em família.
    Falta amor, falta, orientação, falta reprimenda, falta pais." Mas falta tb um Estado q cumpra o seu papel de guardião ... aqui nesta terra tudo pode e tudo fica como está ... uma vergonha ...

    ;-)

  • Lu Nogfer says:
    28 de janeiro de 2013 15:51

    Ola Lu

    Tdo dia tem uma noticia horrivel a respeito de tudo isso. Falta ou sobra muita coisa na sociedade e nos govenamentais tambem!

    Uma materia que muitos deveriam ler para ver se se coincientizam ou entao tomam um pouco de vergonha na cara mesmo!

    Demoro por falta de tempo mas adoro passar por aqui!

    Beijos

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.