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6 de outubro de 2014

Diretas já e sua história.



A ideia de criar um movimento a favor de eleições diretas foi lançada em 1983, pelo então senador Teotônio Vilela no programa Canal Livre da TV Bandeirantes.
Após muitos anos de ditadura e de silêncio forçado dos brasileiros, a população se organizou em torno de um dos maiores movimentos sociais da história do Brasil.
As Diretas Já apoiavam o projeto de lei proposto pelo deputado Dante de Oliveira que almejava a realização de eleições diretas para presidente do país.
O movimento teve a participação dos mais variados setores da sociedade e apontava claramente que a ditadura e os militares tinham seus dias contados na liderança do Brasil.
Após o período conhecido como milagre econômico entre os anos de 1968 e 1973 tornou-se difícil para os militares florearem a situação política e repressora vigente no país.
As denúncias sobre repressão ganharam o conhecimento público enquanto a insatisfação com o regime militar crescia, pressionados por políticos e pela mídia, em 1979, os militares tomaram medidas que permitiram o retorno de elementos democráticos ao país.
Foi o caso da quebra do sistema bipartidário que marcava os anos ditatoriais até então, a reforma política permitiu que novos partidos políticos tomassem a cena, surgindo siglas por todos os lados.
Nas eleições de 1982 foi possível que concorressem candidatos dos recentes partidos e também não militares. Entre eles se elegeu deputado federal pelo PMDB Dante de Oliveira, assumindo o cargo no dia 1 de janeiro de 1983. Desde sua posse, Dante de Oliveira se empenhou em coletar assinaturas de apoio ao seu projeto de lei que determinaria eleições diretas para presidente e após conseguir o auxílio de 170 deputados e 23 senadores apresentou então, no dia 2 de março de 1983, a Proposta de Emenda Constitucional Nº5. A proposta, que popularmente ficou conhecida como Emenda Dante de Oliveira, logo tomou espaço na mídia e mobilizou os mais variados setores da população brasileira. Partidos políticos, lideranças sindicais, civis, artísticas, estudantis e jornalísticas engrossaram um dos maiores movimentos sociais da história do país, as Diretas Já.
A idéia de se criar um movimento no mesmo ano de 1983 que servisse de apoio ao projeto do deputado Dante de oliveira partiu do senador Teotônio Vilela, apresentador do programa Canal Livre da TV Bandeirantes, de São Paulo. A primeira manifestação pública em defesa das eleições diretas ocorreu em Pernambuco, no município de Abreu e Lima, no dia 31 de março de 1983. Esta foi organizada por políticos que eram filiados ao PMDB, que junto com o PT e o PDT foram os principais partidos envolvidos com a campanha pelas eleições diretas. Em continuidade ao primeiro ato de manifestação, em junho e novembro, outras manifestações ocorreram em Goiânia e Curitiba.
O movimento crescia ao mesmo tempo em que a crise econômica do país também, os altos números da inflação impulsionavam maiores participações ainda dos sindicatos e dos estudantes. João Batista Figueiredo era o presidente militar em exercício à época das manifestações, segundo ele os atos da população eram considerados subversivos fazendo-o aumentar a repressão, em abril de 1984 o presidente expandiu a censura sobre a imprensa e ordenou prisões, ocorrendo vários casos de violência policial.
A essa altura, o prestígio dos militares já havia se esgotado, a ditadura tinha seus dias contados e os movimentos eram cada vez maiores pela redemocratização.
Em São Paulo um comício reuniu mais de 1,5 milhões de pessoas no Vale do Anhangabaú. Todo o movimento das Diretas Já foi marcado por gigantescos comícios envolvendo membros da classe artística, intelectuais e outros militantes. Entre eles alguns ganharam notoriedade e identificação maior com a população, como foi o caso da cantora Fafá de Belém e do político Ulysses Guimarães do PMDB. A primeira ficou conhecida como “musa das diretas” em função das suas brilhantes interpretações do hino nacional brasileiro que fazia durante os comícios. Já Ulysses Guimarães ficou conhecido como “senhor diretas” por ser uma figura emblemática do movimento.
Entretanto, a proposta de Dante de Oliveira ainda não havia sido votada no Congresso, isso só aconteceu no dia 25 de abril de 1964. Para insatisfação dos brasileiros a emenda foi reprovada graças a uma manobra política dos aliados do regime, 112 deputados não compareceram no dia da votação e mesmo tendo havido 298 votos a favor, 65 contra e 3 abstenções não foi possível alcançar o número mínimo de votos para a aprovação.
Mas em janeiro de 1985 os adeptos do movimento Diretas Já conseguiram uma relativa vitória na Câmara dos Deputados. Os militares pressionados pela população queriam demonstrar que estavam permitindo a redemocratização aos poucos e permitiram a candidatura de civis à presidência, então no dia 15 de janeiro foi eleito pelo Colégio Eleitoral, ainda em eleição indireta, Tancredo Neves. Todavia, este faleceu antes mesmo de assumir o cargo, deixando-o para José Sarney, que se tornou o primeiro presidente civil depois de 21 anos de ditadura.
Diretas Já
O movimento Diretas Já conseguiu, mesmo não de forma imediata, recuperar as eleições diretas para presidente no país. Primeiro um civil ocupou o cargo dominado por militares até então, depois uma nova Constituição Federal foi aprovada em 1988, a qual estabelecia finalmente o voto direto para Presidente da República no ano de 1989, consagrando Fernando Collor como o primeiro presidente eleito pelo povo desde 1960.
Antonio Gasparetto Junior
Fonte: www.historiabrasileira.com

3 comentários :

  • Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz says:
    6 de outubro de 2014 12:50

    Bons momentos da história para quem viveu a ditadura como nós ... pena q o povo continua omisso, desinformado e votando mal ...

  • Beth Muniz says:
    7 de outubro de 2014 16:38

    Lu,

    Pode me procurar aí nessa multidão.
    Eu estava lá.
    Pois é...

    E pensar que tantos e tantos sofreram, foram torturados, massacrados, exilados e mortos para que estejamos hoje exercendo o direito ao livre exercício democrático do voto.

    Porém, muito preferem, por desconhecimento, ou por preconceito ideológico mesmo, desrespeitar pessoas, xingar e incitar o ódio contra negros, nordestinos e mulheres, e ainda dizem que estão exercendo o direito de liberdade de expressão.

    Para estes, um alerta: continuem assim, e em breve, breve terão que enfrentar a força de uma ditadura militar.

    Tomara que não.

    Um abraço Lu.

  • Tunin says:
    7 de outubro de 2014 17:07

    Mais uma vez você nos faz relembrar um momento do grito Brasil. Hoje as vozes são mais abafadas e a gente não entende o que pretendem na verdade. A mistura com o vandalismo é trágica.
    Abração.

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