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19 de abril de 2015

ARBORIZAÇÃO E FLORESTAS URBANAS

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TERMINOLOGIA ADOTADA PARA A COBERTURA ARBÓREA DAS CIDADES BRASILEIRAS

INTRODUÇÃO
Dois conceitos têm sido usados no Brasil para designar o conjunto da vegetação arbórea, presente nas cidades: Arborização Urbana e Floresta Urbana.
Ambos tiveram o seu conteúdo redefinido recentemente, tendo como base provável os termos estabelecidos por canadenses e norte americanos a partir da década de sessenta. O histórico do conceito de “Urban Forest” (Floresta Urbana), está ligado à expansão das cidades e a demanda crescente de métodos e técnicas que pudessem ser aplicados ao conjunto arbóreo destes espaços. Grey & Deneke (1986) explicam que esta definição surgiu inicialmente no Canadá, citada por Erik Jorgensen (1970), o qual já descrevia Floresta Urbana como o conjunto de todas as árvores da cidade, presentes nas ruas, bacias hidrográficas, áreas de recreação, suas interfaces e espaços de influências.
A maneira mais fácil de se entender este conceito de “Urban Forest”, seria através de um sobrevôo imaginário sobre a cidade ou se um conjunto de imagens aéreas estivesse disponível na tela de um computador. No mosaico, poderia perceber os fragmentos de florestas e outras áreas verdes. Seria possível ver a cobertura da copa das árvores, ora continua, ora em linhas ou pequenos grupos, ora isoladas.
Miller (1997) sintetiza esta definição: “é o conjunto de toda a vegetação arbórea e suas associações dentro e ao redor das cidades, desde pequenos núcleos urbanos até as grandes regiões metropolitanas”. Inclui as árvores de ruas, avenidas, praças, parques, unidades de conservação, áreas de preservação, áreas públicas ou privadas, remanescentes de ecossistemas naturais ou plantadas.
Esta definição tem aspectos interessantes; estabelece uma delimitação a partir da sua macroestrutura, com uma visão ampla da paisagem. Além disto, analisa a cobertura arbórea integrando todas as situações, árvores isoladas, em grupos ou florestas. Mas, por outro lado, traz problemas quando se considera estes elementos de maneira mais próxima e por este motivo não foi aceita por diversos autores (Hultman, 1976; Rydberg & Falck, 2000). Eles discordaram da idéia de se imaginar o conjunto de árvores isoladas da cidade, como integrantes de uma floresta. Para eles, árvores e florestas devem ser entendidas como componentes distintos, principalmente para o seu tratamento e administração. Esta visão é defendida, por exemplo, por Hultman (1976), que lembra que a própria lUFRO (União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal) passou a adotar como tema” Arboriculture and Urban Forestry” (Arboricultura e Manejo de Florestas Urbanas) e organizou seminários sobre este assunto, intitulado “Árvores e Florestas para as Cidades” separando claramente estes componentes.
No Brasil, o termo “Urban Forest” foi traduzido inicialmente como “Arborização Urbanà”, adotando-se a mesma abrangência dada pelos autores norte americanos.
Segundo Milano (1992), Arborização Urbana é o “conjunto de terras públicas e privadas com vegetação predominantemente arbórea ou em estado natural que uma cidade apresenta” e neste inclui as árvores de ruas e avenidas, parques públicos e demais áreas verdes. Alguns autores, no entanto, sugerem a utilização do termo “Floresta Urbana”, também com o mesmo conteúdo (Gonçalves, 2000).

ALGUMAS SUGESTÕES PARA A CONSOLIDAÇÃO DOS CONCEITOS REFERENTES À COBERTURA ARBÓREA URBANA

Considerando o item anterior, dois aspectos deveriam ser considerados no entendimento destes conceitos. O primeiro se refere à discordância no uso de uma definição que inclua toda a vegetação arbórea. A utilização de um só termo para designar árvores isoladas e florestas tem sido contestada. O segundo se refere a como esta deve ser traduzida e/ou adotada em nosso país. Este mesmo conjunto ora tem sido designado como arborização urbana, ora como floresta urbana.
A adoção de terminologia técnica é influenciada quase sempre por um conjunto amplo de fatores e, no caso tratado, a dinâmica futura é que irá determinar se este ou aquele termo se consagrará de forma mais consistente.
No entanto, alguns aspectos poderiam ajudar a nortear e dar referências importantes nesta busca.
O primeiro destes aspectos é que procura-se designar componentes de ecossistemas, que apresentam estrutura e função e estas deveriam ser consideradas(Magalhães 2004). Árvores isoladas ou mesmo em pequenos grupos são bastante distintas de florestas. As florestas nas cidades estão em áreas maiores e continuas e constituem ecossistemas característicos, com o estabelecimento de relações especificas com o solo, água, nutrientes, a fauna e outros componentes ambientais. As relações, funções e benefícios para as comunidades antrópicas presentes também são especificas, como áreas de lazer, parques ou unidades de conservação.
Por outro lado, árvores isoladas ou em pequenos grupos estão presentes em quase toda a malha urbana, incluindo áreas predominantemente edificadas. São cultivadas e mantidas como indivíduos, são planejadas para ocupar o espaço na sua forma dendrológica plena. Afetam e são afetadas pelo ambiente também como indivíduos. A sua arquitetura individual é quase sempre trabalhada para o planejamento.
O segundo aspecto guarda uma estreita relação com o primeiro. As diferenças de estrutura e função resultaram em práticas e métodos completamente diferenciados para os dois tipos de componentes. Isto é tão forte que a arboricultura em muitos lugares se desenvolveu como disciplina separada da silvicultura.
Este aspecto é muito importante e a adoção de conceitos gerais ou específicos tem conseqüências no manejo e na administração da cobertura arbórea urbana. O conceito a ser adotado não pode desconsiderar as diferenças existentes entre a condução de árvores e o manejo de florestas urbanas.
Mesmo os autores que adotam definições gerais, no momento de detalhar o seu planejamento acabam separando as árvores de ruas das florestas e tratando cada uma à parte (Miller, 1997).
Finalmente, o terceiro aspecto se refere à terminologia técnica adotada e aos significados de alguns dos termos usados. No Brasil, algumas definições ainda mantêm fortes ligações aos significados utilizados no cotidiano e a sua adoção tem gerado resistências e confusões. O termo arborização sempre foi utilizado para a ação ou para o resultado do plantio e da manutenção de árvores, individuais ou em pequenos grupos. É usado, há bastante tempo, em atividades de ruas, praças e outros espaços deste tipo, como canteiros e jardins, e guarda ainda uma significativa (e quase única) conotação com estas atividades.
Ele sempre foi definido como “ato ou efeito de arborizar” ; arborizar, por sua vez, é defInido como “plantar árvores, guarnecer com árvores” e a palavra arborizado entendida como “plantado ou cheio de árvores” (Ferreira, 1971 ). Esta conotação sempre foi muito usada e distinta para a que se adota para floresta.
A definição usada para a palavra florestar era de “plantar árvores florestais, cobrir de florestas” e está ligada à atividade da silvicultura. Na língua portuguesa existe um outro termo que poderia ser útil - arvoredo, que tem o significado ligado a pequenos grupos de árvores. Este tipo não chega a formar ecossistemas florestais e é de grande aplicação em projetos paisagísticos.
Considerando estes significados, tanto o termo arborização teria dificuldades em atingir as atividades florestais, como o termo floresta urbana também dificilmente seria aplicado para árvores de rua, por exemplo. E isto se confirma na prática. Arborização é um termo usado com freqüência nos trabalhos com árvores Isoladas ou em pequenos grupos, mas sua aplicação é rara ou inexistente quando se trata da atividade florestal, como reflorestamento, e não tem qualquer ligação com atividades em florestas naturais, como de manejo de áreas silvestres.
CONCLUSÕES
O uso de todos estes termos se encontra numa dinâmica ainda intensa e eles deverão se consolidar, ou não, de acordo com os fatores que vem influenciando a sua adoção. No futuro, independente da terminologia que estará consagrada para designar o conjunto arbóreo urbano, a arboricultura e a silvicultura estarão atuando em estruturas distintas, sendo necessário que estas disciplinas e suas diferenças sejam incorporadas à pesquisa, à formação de profissionais e às políticas de administração destes componentes, nas cidades.
Considerando todas as diferenças citadas, seria interessante manter conceitos diferenciados para os componentes florestais e para as árvores isoladas ou em pequenos grupos: O primeiro poderia ser incluído no conceito de Floresta Urbana, ligado à atividade de Silvicultura Urbana; o segundo deveria ser definido no grupo de Arborização Urbana e estaria ligado às atividades de Arboricultura.
O uso de algum dos dois termos para designar todo o conjunto arbóreo certamente encontraria dificuldades. Deveria se buscar definições que incluíssem todos os componentes de maneira confortável. Até que este termo fosse encontrado e aceito plenamente, seria mais prudente a utilização de termos mais abrangentes, como Cobertura Arbórea Urbana, Vegeta o Arbórea Urbana ou Arborização e Floresta Urbana.
A definição proposta não trabalharia contra a integração e o enfoque abrangente que estes componentes merecem. Pelo contrário, o reconhecimento destas diferenças enriqueceria e aumentaria as possibilidades de integração, aperfeiçoando ainda mais a administração destes recursos.
Luís Mauro S. Magalhães
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERREIRA, A.B.H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Edit. Nova Fronteira. 1971. 1517p. 
GONÇALVES, W. Florestas Urbanas. Ação Ambiental. Viçosa. Ano n, Número 9, p 17-19.2000. GREY, W.G. ;
DENEKE, F. J. 1986 Urban Forestry. JoJm Wiley & Sons. 1986. 279p. 
HULTMAN, S. Urban Forests in Sweden: their use for recreation and timber Growing. 1976. In: Proceedings of Papers Presented During Symposia -Trees and Forests for Human Settlements IUFRO. Toronto. p36-42. 
MAGALHÃES, L.M.S. Funções e Estrutura da Cobertura Arbórea Urbana. EDUR - Editora da UFRRJ. 73p.2004 
Ml.ANO, M.S. A cidade, os espaços abertos e a vegetação. h6: Anais do 1. Congresso Brasileiro sobre Arborização Urbana. 1992. Vitória. Sociedade Brasileira Arborização Urbana. 1992. Vo1.1. p3-14. 
MILLER, R.W. Urban Foresty - Planning and Managing Urban Greenspaces. 2ªEd. Prentice Hall. 1997.502p.

RYDBERG, D.; FALCK, J. Urban Foresty in Sweden from a silvicultural perspective: a review. Landscape and Urban Planning. V.47 n.1-2, 2000. p.1-18.
Fonte: www.floram.org

1 comentários :

  • Wanderley Elian Lima says:
    20 de abril de 2015 20:25

    Ale´m de embelezar, as tais florestas ajudam a purificar esse nosso ar já tão poluído.
    Abraço

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