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18 de maio de 2015

Tropicália o movimento pós Bosa Nova


Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores-compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor-compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão e os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais.

Os tropicalistas deram um histórico passo à frente no meio musical brasileiro. A música brasileira pós-Bossa Nova e a definição da “qualidade musical” no País estavam cada vez mais dominadas pelas posições tradicionais ou nacionalistas de movimentos ligados à esquerda. Contra essas tendências, o grupo baiano e seus colaboradores procuram universalizar a linguagem da MPB, incorporando elementos da cultura jovem mundial, como o rock, a psicodelia e a guitarra elétrica.
0 comentáriosAo mesmo tempo, sintonizaram a eletricidade com as informações da vanguarda erudita por meio dos inovadores arranjos de maestros como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzela. Ao unir o popular, o pop e o experimentalismo estético, as idéias tropicalistas acabaram impulsionando a modernização não só da música, mas da própria cultura nacional.

“eu organizo o movimento. eu oriento o carnaval” - Caetano Veloso

Seguindo a melhor das tradições dos grandes compositores da Bossa Nova e incorporando novas informações e referências de seu tempo, o Tropicalismo renovou radicalmente a letra de música. Letristas e poetas, Torquato Neto e Capinan compuseram com Gilberto Gil e Caetano Veloso trabalhos cuja complexidade e qualidade foram marcantes para diferentes gerações. Os diálogos com obras literárias como as de Oswald de Andrade ou dos poetas concretistas elevaram algumas composições tropicalistas ao status de poesia. Suas canções compunham um quadro crítico e complexo do País – uma conjunção do Brasil arcaico e suas tradições, do Brasil moderno e sua cultura de massa e até de um Brasil futurista, com astronautas e discos voadores. Elas sofisticaram o repertório de nossa música popular, instaurando em discos comerciais procedimentos e questões até então associados apenas ao campo das vanguardas conceituais.
Sincrético e inovador, aberto e incorporador, o Tropicalismo misturou rock mais bossa nova, mais samba, mais rumba, mais bolero, mais baião. Sua atuação quebrou as rígidas barreiras que permaneciam no País. Pop x folclore. Alta cultura x cultura de massas. Tradição x vanguarda. Essa ruptura estratégica aprofundou o contato com formas populares ao mesmo tempo em que assumiu atitudes experimentais para a época.
Discos antológicos foram produzidos, como a obra coletiva Tropicália ou Panis et Circensis e os primeiros discos de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Enquanto Caetano entra em estúdio ao lado dos maestros Júlio Medaglia e Damiano Cozzela, Gil grava seu disco com os arranjos de
Rogério Duprat e da banda os Mutantes. Nesses discos, se registrariam vários clássicos, como as canções-manifesto “Tropicália” (Caetano) e “Geléia Geral” (Gil e Torquato). A televisão foi outro meio fundamental de atuação do grupo – principalmente os festivais de música popular da época. A eclosão do movimento deu-se com as ruidosas apresentações, em arranjos eletrificados, da marcha “Alegria, alegria”, de Caetano, e da cantiga de capoeira “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, no III Festival de MPB da TV Record, em 1967.
Irreverente, a Tropicália transformou os critérios de gosto vigentes, não só quanto à música e à política, mas também à moral e ao comportamento, ao corpo, ao sexo e ao vestuário. A contracultura hippie foi assimilada, com a adoção da moda dos cabelos longos encaracolados e das roupas escandalosamente coloridas.
0 comentáriosO movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos.

“aqui é o fim do mundo” - Gilberto Gil e Torquato Neto

Em 1964, o Brasil encontrava-se no olho do furacão. A Guerra Fria – disputa entre as superpotências dos Estados Unidos e da União Soviética – alimentava conflitos na América Latina e no País. Em 1959, a Revolução Cubana transforma Fidel Castro e Che Guevara em heróis internacionais e atiça a pressão do bloco capitalista sobre os países do terceiro mundo.
0 comentáriosPor aqui, o presidente João Goulart (Jango) propõe uma série de reformas de base para atenuar o grave problema da desigualdade social e as pressões políticas que vinha sofrendo dos movimentos de esquerda. Contra tais propostas – acusadas de comunistas – formou-se um movimento da direita política e de parte da sociedade, que preconizavam uma modernização conservadora. Com a participação do Congresso, das classes média e alta, essa facção venceu por meio do golpe militar de 31 de março. O Exército e seus aliados civis depuseram o presidente Jango e entregaram o poder aos militares. O golpe, apoiado pelos americanos, rompeu o já frágil jogo democrático brasileiro. A concentração de renda surgiu como forma de expansão capitalista. Castelo Branco se tornou o primeiro de uma série de generais-presidentes ditatoriais. Seu substituto, Costa e Silva, governou o País de 1967 a 1969, cada vez com mais poder.
Culturalmente, o País fervilhava. Até 1968, intelectuais e movimentos de esquerda podiam agir livremente, com pequenos problemas com a censura. A intensa produção ia das peças do Teatro Oficina aos grupos Opinião e Arena; das canções de protesto às músicas da Jovem Guarda, passando pelos filmes do Cinema Novo e pelas artes plásticas. Em todas as áreas, a política fazia-se presente, mantendo acesa no campo das artes uma polêmica que opunha experimentalismo e engajamento, participação e alienação.
A partir de 1967, os antagonismos foram radicalizados. No campo da música, houve confrontos entre os arti
stas nacionalistas de esquerda e os vanguardistas do Tropicalismo. Estes se manifestaram contra o autoritarismo e a desigualdade social, porém propondo a internacionalização da cultura e uma nova expressão estética, não restrita ao discurso político. Para os tropicalistas, entender a cultura de massas era tão importante quanto entender as massas revolucionárias.
0 comentáriosAinda no terreno político, 1968 foi o ano em que as tensões chegaram ao máximo no País. As greves operárias e as manifestações estudantis – com a conseqüente repressão policial – se intensificaram. As guerrilhas rural e urbana aumentaram suas ações. Com o crescimento da oposição, Costa e Silva, pressionado pela extrema direita, respondeu com o endurecimento político. Em 13 de dezembro, o Ato Institucional Nº 5 decretou o fim das liberdades civis e de expressão, sacramentando o arbítrio até 1984, quando o general João Figueiredo deixa
a presidência do País.

Músicas

Alegria, Alegria – Caetano Veloso
Domingo no Parque – Gilberto Gi
Tropicália – Caetano Veloso
Superbacana – Caetano Veloso
Soy Loco Por Ti América (Gilberto Gil/ Capinam) – Caetano Veloso
Marginália 2 (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto Gil
Panis et Circensis (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Mutantes
Miserere Nobis (Gilberto Gil/ Capinam) – Gilberto Gil e Mutantes
Lindonéia (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Nara Leão
Parque Industrial (Tom Zé) – Tom Zé
Geléia Geral (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto Gil
Baby (Caetano Veloso) – Gal Costa e Caetano Veloso
Enquanto Seu Lobo Não Vem (Caetano Veloso) – Caetano Veloso
Mamãe, Coragem (Caetano Veloso/ Torquato Neto) – Gal Costa
Bat Macumba (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Gilberto Gil e Mutantes
Saudosismo – Caetano Veloso
É Proibido Proibir, versão integral, com discurso (Caetano Veloso) – Caetano Veloso
Não Identificado (Caetano Veloso) – Gal Costa
Divino, Maravilhoso (Gilberto Gil e Caetano Veloso) – Gal Costa
2001 (Rita Lee/ Tom Zé) – Mutantes
São São Paulo (Tom Zé) – Tom Zé
 Vejam vídeo abaixo com a música Tropicalis:


Fonte: tropicalia.com.br, cliquemusic.uol.com.br

5 comentários :

  • Tunin says:
    12 de maio de 2012 20:36

    Muito boa a rememoração dos acontecidos na música brasileira naqueles tempos. Agora, pergunto: A Maria Bethânia não fazia parte do grupo?
    Abração.

  • Mary says:
    12 de maio de 2012 23:15

    Um domingo cheio de amor, paz e coisas boas.
    Beijos
    Mary.

  • Anne Lieri says:
    14 de maio de 2012 12:24

    Lu,eu gosto da bossa nova mas confesso ser mais tropicalismo!Muito interessante seu relato histórico e quanto transformou nosso pais essas canções!Bjs e boa semana!

  • Só em Palavras says:
    14 de maio de 2012 22:29

    Materia excelente!
    Lu, voce é o bloguueirio a semana
    la no Espelhando,
    pode postar todos os dias se quiser. Eu irei repostando do meu jeito.
    Ta bom?
    Bjins
    OBS:ESSE É MEU NOVO TRABALHO, VAI CONFERIR E CHAMA A SIMONE TAMBEM

  • Beth Muniz says:
    1 de junho de 2013 10:33

    Oi Lu,
    Excelente!
    É sempre é bom recordar a história desse movimento que tanto movimentou, e ainda hoje movimenta, a música popular brasileira.
    Compartilhado.
    Bom final de semana.
    Beijão.

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Os maus tratos vividos em um casamento conturbado de uma mulher bem sucedida na vida vão transformar sua vida e viver um dilema de sentimentos. Ela luta com a ajuda da família, para solucionar o problema e se renova buscando a força necessária, para reviver uma nova historia, encontrado no acaso, através da ajuda de um homem desconhecido a força do amor que ira desabrochar e vai mudar toda sua vida. A mudança de um homem, que por causa de um atropelamento, ressurge, emerge para o brilho da vida e persevera, perseguindo seu real objetivo, para viver seu grande amor. Mesmo sabendo de todas as dificuldades que irá encontrar para prosseguir o seu caminho. Categorias: Romance, Poesia, Ficção e Romance, Ficção Palavras-chave: a, amor, do, força, fronteiras., sem. Clique na imagem que levará ao Clube dos Autores e adquira seu exemplar.