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20 de agosto de 2015

A mulher na politica brasileira - Vamos respeitar a decisão do povo Brasileiro


82 anos antes de Dilma, Alzira Soriano abriu espaço feminino no Executivo

Luísa Alzira Soriano Teixeira (Jardim de Angicos, 29 de abril de 1897 — Jardim de Angicos, 28 de maio de 1963) foi uma política brasileira.
Alzira disputou em 1928, aos 32 anos, as eleições para prefeito de Lajes, cidade do interior do Rio Grande do Norte, pelo Partido Republicano, vencendo o referido pleito com 60% dos votos. Foi a primeira mulher da  América Latina a assumir o governo de uma cidade, segundo notícia publicada na época pelo jornal norte-americano “The New York Times”.
Alzira exerceu o cargo por apenas um ano, pelo então Partido Republicano. Em 1930, descontente com a eleição de Getúlio Vargas, ela deixou a função. Apenas dois anos depois disso, em 1932, mulheres conquistariam o direito de votar. Em 1947, voltou a exercer um mandato de vereadora do município de Jardim de Angicos, cargo para o qual foi eleita três vezes.

Em 1928, Alzira foi eleita prefeita no RN, a primeira da América Latina.
Confira histórico das primeiras mulheres no comando da política nacional. 

Luíza Alzira Soriano Teixeira foi a primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina. Tomou posse no cargo em 1º de janeiro de 1929. Viúva, Alzira Soriano disputou em 1928, aos 32 anos, as eleições para a prefeitura de Lajes, cidade do interior do Rio Grande do Norte, pelo Partido Republicano, e venceu com 60% dos votos, quando as mulheres nem sequer podiam votar.
Alzira Soriano em seu gabinete no governo de Lajes (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas foi pouco tempo de administração, apenas sete meses. Com a Revolução de 1930, Alzira Soriano perdeu o seu mandato por não concordar com o governo de Getúlio Vargas. A responsável pela indicação de Alzira como candidata à Prefeitura de Lajes foi a advogada feminista Bertha Lutz, uma das figuras pioneiras do feminismo no Brasil.
A administração de Alzira Soriano à frente da Prefeitura de Lajes resultou na construção de novas estradas, como a que fazia a ligação entre os municípios de Cachoeira do Sapo e Jardim de Angicos. Ela também construiu mercados públicos distritais, fez escolas e cuidou da iluminação pública a motor.
Somente com a redemocratização, em 1945, Alzira Soriano voltou à vida pública, como vereadora do município de Jardim de Angicos, onde nasceu. Foi eleita por mais duas vezes consecutivas, liderando a União Democrática Nacional (UDN). Chegou à Presidência da Câmara de Vereadores mais de uma vez. Aos 67 anos, Alzira morre em 28 de maio de 1963 por complicações de um câncer.
Direito ao voto
Nas eleições convocadas por Getúlio Vargas para uma Assembleia Constituinte, nos anos de 1934 e 1935, foi eleita a primeira mulher deputada federal, Carlota Pereira de Queiroz, médica paulista. Berta Lutz, cientista e feminista, primeira suplente do Distrito Federal, assumiu o mandato em 1936.
Com muita luta na vida política, outras mulheres garantiram que, pela primeira vez, a Constituição brasileira consagrasse, entre outros aspectos, o princípio de igualdade entre os sexos, o direito do voto feminino e as garantias de proteção ao trabalho da mulher. São elas: Maria do Céu Pereira Fernandes, a primeira deputada eleita do Rio Grande do Norte, em 1934; e Almerinda Ganla, eleita entre os 40 delegados classistas (trabalhadores e empregados), em 1935.
De acordo com Ane Cajado, historiadora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Constituição Republicana de 1891 não proibia o voto feminino, pois considerava como eleitores os cidadãos brasileiros maiores de 21 anos. “A interpretação que se fazia era de considerar cidadão brasileiro apenas o homem”, explicou.
Ainda segundo a historiadora, a eleição da primeira deputada no Brasil, Carlota Pereira, “sem dúvida foi um marco da história da emancipação da mulher”. Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças e trabalhava por melhorias educacionais que contemplassem melhor tratamento das mulheres. Além disso, publicou uma série de trabalhos em defesa da mulher brasileira.


Depois de prefeita, ela ainda foi eleita vereadora. Não era o comum da época, mas ela não se importava com nada disso”, diz Lana. A família guarda as históricas fotos de Alzira Soriano. Em uma delas, a prefeita aparece em meio ao seu gabinete formado exclusivamente de homens.
Alzira ficou apenas um ano no cargo, pelo então Partido Republicano. Em 1930, descontente com a eleição de Getúlio Vargas, ela deixou a função. Apenas dois anos depois disso, em 1932, mulheres conquistariam o direito de votar.
Para Maria Luiza Fontenele, primeira prefeita de uma capital, pelo PT, a experiência rendeu apenas desilusão. Oriunda do movimento estudantil e de organizações feministas, ela conta que mudou sua visão da política após a passagem pela prefeitura de Fortaleza, marcada por intensas greves e protestos violentos.

“Descobri que não adiantava apenas ser honesta e querer o melhor para o povo, porque a lógica do sistema é contrária a isso”, afirma. “A experiência da prefeitura me ajudou a perceber que as coisas não mudavam não porque nós, mulheres, não tínhamos poder. Não era questão de ter poder”, afirma.
Maria Luíza deixou a política e hoje participa de um grupo chamado “Crítica Radical”, que prega “uma nova força de organização das relações humanas.” Para ela, a eleição de Dilma Rousseff tem “pouco impacto.” “Achar que uma mulher no Brasil, como um negro nos Estados Unidos, vá mudar alguma coisa é ingenuidade,” diz.
(Arte/G1)
Para a primeira mulher a tomar posse de um governo estadual, no entanto, a avaliação é diferente. Iolanda Fleming, do PTB, foi eleita vice-governadora do Acre em 1983. Quando o governador Nabor Júnior deixou o cargo em 1986 para disputar o Senado, ela se tornou a primeira mulher a governar um estado brasileiro – mais tarde, em 1995, Roseana Sarney, do Maranhão, se tornou a primeira governadora eleita do país.
“Enfrentei dificuldades e, não vou mentir, preconceito”, conta. “Mas tive o apoio bem próximo do movimento feminista e conseguimos superar o atraso na mentalidade de alguns para fazer um bom governo”, afirma.
A ex-prefeita Luiza Erundina também revela preconceito – um “preconceito triplo”. “Somam-se em mim várias características: eu sou mulher, nordestina e de esquerda”, conta. “Tudo isso dificultava as pessoas a enxergarem o momento histórico que era ter uma mulher na prefeitura de São Paulo”, conta a deputada reeleita em 2010, agora no PSB.
Erundina afirma que sofreu com o machismo até mesmo dentro de seu então partido, o PT. “Os dirigentes do partido não esperavam que eu vencesse a prévia. Depois, que eu vencesse a eleição. Foi um momento complicado”, afirma.
Para ela, o PT e a sociedade brasileira evoluíram muito até a eleição de Dilma Rousseff. “Vão aí 20 anos e 20 anos de muitas mudanças. Mas ainda assim é um processo lento. Se você vir a eleição da Alzira até hoje, são 82 anos”, conta.
A cientista política Maria do Socorro Souza Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), concorda. “O Brasil demorou muito para levar uma mulher à presidência. Argentina, Chile, Nicarágua fizeram isso antes. Nesses 80 anos, o país se modernizou em muitas áreas, mas essa questão demorou.”
Dilma RousseffDilma Rousseff, a primeira presidente do Brasil
(Foto: Roberto Stuckert Filho)
Erundina comemorou a eleição de Dilma. “É uma mulher presidente e não é qualquer mulher. É uma mulher que tem o histórico, a competência e a responsabilidade de Dilma Rousseff. É um momento muito importante para a história do Brasil e a para a história das mulheres do Brasil”, diz ela.
“É para celebrar. No entanto, não podemos ter a ilusão de que, por isso, as mulheres conquistaram a igualdade. As mulheres ainda são menos de 9% da Câmara dos Deputados e a nossa representação caiu. Na Argentina, as mulheres são 40% da Câmara”, afirma.
Jussara Prá faz a mesma avaliação. “No Brasil, ainda há uma sub-representação da mulher nos cargos políticos”, afirma. “Em países nórdicos, por exemplo, há uma equiparação de homens e mulheres nos órgãos representativos. A Argentina, aqui do lado, é mais avançada com relação a isso. O Brasil é dos mais atrasados”, diz.
Maria do Socorro Braga diz que o governo Dilma será “muito simbólico”. “Por tudo isso, Dilma tem a responsabilidade de mostrar que é capaz. Aos homens, que pode governar como eles e às mulheres de que outras também podem. Será um exemplo para as próximas que virão”, afirma.
Fonte: TSE,  G1, Wikipédia

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