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2 de abril de 2016

Dia Mundial da Conscientização do Autismo


Necessário se faz que todas as pessoas tomem consciência dessa doença, pois é dando todo apoio as famílias que podemos colocar os portadores inseridos na sociedade.
Essa pessoa Vitoria Serino deixa uma reflexão de peso para que tomemos conscientização, leiam com atenção que merece.

Vice-presidente e uma das fundadoras da ONG Autismo & Realidade, Paula Balducci de Oliveira responde de maneira sucinta sobre a associação que algumas pessoas fazem entre autismo e violência: “Como qualquer ser humano, os autistas podem ter outros distúrbios psiquiátricos. Podem manifestar um comportamento agressivo voltado para si mesmos ou para outras pessoas”, esclarece. “Na maioria das vezes em que isso acontece, é por frustração, devido à incapacidade ou à falta de habilidade na comunicação”, complementa. O Autismo & Realidade, fundada em julho de 2010 por um grupo de pais e profissionais, busca divulgar conhecimento atualizado sobre autismo por meio de campanhas e atividades. A ONG também procura estimular as famílias a buscar diagnóstico, tratamento e inclusão social de pessoas com autismo, além de treinar e capacitar profissionais.
Maria Cristina Kupfer, professora titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, concorda com Paula, dizendo que a agressividade não é um traço integrante do quadro, e sim um comportamento ao alcance de qualquer pessoa. Uma criança que não tem diagnóstico de autismo pode ser ou não violenta em uma situação de birra, por exemplo. “É preciso cuidado ao dizer que uma criança tem autismo. Seus comportamentos de fechamento não são suficientes para caracterizá-la como autista”, explica a pesquisadora. Ela ressalta a importância de detecção precoce dos primeiros sintomas que possam indicar que a criança seja autista, uma vez que a estimulação é essencial para que o sujeito tenha um desenvolvimento saudável. “Os pais não devem ser responsabilizados. Eles precisam de ajuda para retomarem o diálogo com essa criança”, afirma Kupfer.
Mas, afinal, o que é o autismo? Letícia Amorim, psiquiatria da AMA (Associação de Amigos do Autista), define o autismo como “uma síndrome comportamental caracterizada por uma dificuldade na comunicação, uma dificuldade na interação social e comportamentos repetitivos e estereotipados”. Ela deixa claro que o tratamento não é medicamentoso, a não ser quando o quadro está associado com co-morbidades (como transtorno obsessivo-compulsivo ou déficit de atenção) ou quando algum sintoma prejudica muito as atividades do cotidiano.
A AMA é uma instituição que oferece um tratamento de 20 horas de intervenção psicoeducacional e comportamental. Além disso, a Associação possui um grupo de terapia para autismo de alto funcionamento e síndrome de Asperger, dois dos quadros situados dentro do espectro autista.
Amorim explica também que atualmente os psiquiatras compreendem as diversas categorias dentro do diagnóstico de autismo como um espectro. “O que varia é a intensidade dos sintomas e a cognição. Uma criança com transtorno do espectro autista pode ter variações no grau da inteligência, mas também apresentar interesses restritos e linguagem repetitiva”, afirma. Segundo ela, a maioria dos autistas possui déficits na teoria da mente (capacidade de se colocar no lugar do outro e prever seu comportamento), déficits na função executiva (flexibilidade de pensamento, capacidade de elaborar novas estratégias) e fraca coerência central (tendência dar importância a detalhes e perder o significado global).
No final do ano passado, um comentário de uma psicóloga no programa “Domingão do Faustão” da Rede Globo causou indignação de pais e profissionais da saúde. A entrevistada teria relacionado o comportamento de um atirador responsável pela morte de 26 pessoas em Newtown (EUA) com a síndrome de Asperger, um dos transtornos dentro do espectro autista. “Não tem nenhum estudo que relacione síndrome de Asperger à violência, muito pelo contrário, eles têm aderência a regras e a rotinas, rigidez do comportamento, totalmente o contrário. Eles gostam de rotina bem-estabelecida. As rotinas podem ser auto impostas ou impostas por outras pessoas”, explica Amorim. “A agressividade das pessoas com autismo é geralmente voltada para si mesmo. Como elas têm dificuldade em se comunicar, o comportamento agressivo pode ter função de comunicar alguma coisa que ele não está conseguindo dizer. A intervenção visa que ela aprenda a se comunicar de outra forma”, complementa a psiquiatra. Maria Cristina Kupfer acrescenta: “Não é possível fazer diagnóstico a partir de uma notícia. O diagnóstico é uma atividade de grande responsabilidade”.

Nova lei de cotas

Atualmente, a inclusão dos autistas na categoria de deficientes tem por objetivo conscientizar a sociedade a respeito do transtorno e combater o preconceito, muitas vezes motivado pelas informações equivocadas transmitidas pela mídia. “A Lei de Cotas foi um reconhecimento, uma conquista. No entanto, alguns autistas não possuem deficiência intelectual. Aqueles que tem inteligência preservada, porém com peculiaridades do espectro autista, vêm tendo dificuldades de beneficiar-se dessa Lei, porque não se enquadram nos critérios de deficiência”, elucida Paula Balducci. Para ela, a sociedade não sabe ainda lidar com o autismo, seja nas escolas, no mercado de trabalho ou nas relações sociais. “As pessoas têm em mente que são pessoas que vivem em seu próprio mundo e não querem interagir. É preciso que a sociedade saiba que elas podem e querem essa interação, apenas não sabem como fazê-lo”.
Kupfer, que fundou a Associação Lugar de Vida, também acredita que ver o autista como deficiente não é suficiente, mas vê aspectos positivos da lei. “A ideia de deficiência ajuda no sentido que afasta da noção de doença mental, de louco”, esclarece. “No entanto, a saída para a deficiência tem a desvantagem de não dar para essa criança todas as chances que ela teria se ela não fosse considerada deficiente”.
De modo geral, a intervenção precoce junto aos autistas e a conscientização da sociedade a respeito do tema são dois passos fundamentais para a melhora na qualidade de vida dessas pessoas. Paula Balducci acredita que a inclusão deve ser feita desde a infância até a vida adulta. “Queremos que o mundo do trabalho acolha melhor as necessidades desses jovens. Somente a diversidade cria ambientes democráticos e saudáveis”, finaliza.
Victória Cirino
Fonte: saudedamente.com.br

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